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Brasília

Olímpica 05

Arquivo Geral

01/08/2016 18h08

Viajar é um grande barato. Mesmo que seja com orçamento apertado… Abrem-se novos horizontes, você vislumbra um novo mundo. Jornalista, então, adora. Jornalista esportivo, ainda mais. Principalmente quando se está viajando para realizar alguma cobertura. É a realização de sonhos. Já imaginaram como me senti, com um ano de casa, no antigo Jornal do Brasil, partindo para cobrir minha primeira Copa do Mundo, em 1990, na Itália (sei que faz tempo)?

Pois é… Aprendi, porém, que para jornalistas esportivos uma viagem só está assegurada quando você desembarca no seu destino. Ouvi histórias horripilantes de colegas que foram praticamente retirados do avião quando estavam embarcando. Frustração elevada à enésima potência. Como disse: só se garante a viagem quando se está chegando ao destino.
Por isso entendi, perfeitamente, o sentimento que tomou conta de Fernando Prass. E entenderei se, nos próximos dias, ele não quiser falar, fizer grosseria, entrar em reclusão. Já “cascudo”, ele estava com a vaga de titular da seleção brasileira literalmente nas mãos.

Mais: chegava a uma competição de importância, no Brasil, favorito à conquista do título – estou falando da medalha de ouro olímpica, é sempre bom frisar. E… Uma contusão no cotovelo, contusão semelhante à que o deixou fora de combate há poucos anos, o tirou dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Pior: a contusão agravou-se durante o aquecimento de um jogo do qual ele nem iria participar, o amistoso de sábado contra o Japão, no Serra Dourada, em Goiânia. Doi. Doi demais. É indescritível o sentimento de perda.

E a contusão/corte de Fernando Prass poderá provocar uma verdadeira revolução na seleção olímpica. Precisará ser chamado outro goleiro. A CBF já está articulando junto ao Comitê Olímpico Internacional e a Fifa possibilidade de convocar alguém que não fazia parte da relação de 35, entregue há um mês mais ou menos – alega a entidade brasileira que está com dificuldades para conseguir a liberação dos jogadores previamente inscritos. Como fica? Se o COI e a Fifa liberarem podem dizer que é favorecimento “ao time da casa”. E, liberando, quem seria o convocado? Se não fosse uma função tão específica, talvez se pudesse pensar até em algo mais radical. Mas… Neste momento, o que vale, ou melhor, o que valerá, será a decisão da organização.

Impressionou a forma como Neymar chamou para si uma liderança que jamais demonstrou na seleção. Nos vestiários, após a vitória sobre o Japão, convocou a todos para fazerem um pacto pela vitória. Por Fernando Prass. Lembrou os problemas que teve após a partida contra a Colômbia, pela Copa do Mundo, quando foi atingido por Zuñiga e teve de deixar o Mundial. Todo o resto todos nós sabemos, passando pelo 7 a 1, pela decepção, pela marca que vai ficar no futebol brasileiro. Marca que, talvez, possa ser levemente superada (ou melhor, aliviada) com uma possível conquista da medalha de ouro olímpica. A briga para o Brasil já começou. Resta saber como os jogadores, praticamente todos com menos de 22 anos, reagirão.

Por falar em reação e finalizando o papo de hoje, claro, temos o Brasileiro. O domingo começou animado. No Morumbi, público excelente e o São Paulo… Bem, foi buscar o empate, reagindo bonito diante de mais de 50 mil torcedores, mas ficou devendo. De novo. No Rio, ou melhor, em Édson Passos, a torcida do Fluminense esgotou os ingressos disponíveis e viu seu time passar bem pela Ponte Preta, melhorando a posição na classificação, dando a impressão que com um estádio para chamar de seu pode reagir no Brasileiro. E quem precisa reagir, logo, é o Internacional. Mesmo com o apoio de sua galera, perdeu ontem, de novo. Falcão já começa a ser questionado – assumiu outro dia. Outro que também precisa reagir, urgente, é o Cruzeiro, mais uma vez derrotado, ontem (na estreia de Mano Menezes).

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