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Brasília

Ocorrências envolvendo crianças com intoxicação são comuns nas férias

Arquivo Geral

19/01/2015 7h29

Com três anos de idade na época, Samuel da Costa Tavares de Almeida, 5, sofreu uma grave intoxicação, após se confundir e beber um produto de limpeza no lugar do suco. Assim como a família de Samuel, muitos outros pais também dão entrada nos hospitais pelo mesmo motivo, comprovando o que foi divulgado pelo Centro de Informações Toxicológicas (CIT) da Secretaria de Saúde: o número de crianças com sintomas de intoxicação no Distrito Federal é preocupante.

Em 2014, foram registrados 1.704 casos envolvendo crianças de até quatro anos. O número representa 42,97% dos 3.996 atendimentos do CIT em 2014.  No topo da lista de ocorrências  estão as intoxicações por ingestão de medicamentos (726), seguida de produtos de limpeza (372),  cosméticos (106) e animais peçonhentos (45).

Nas férias, inclusive, o risco   é ainda maior, tendo em vista que as crianças passam mais tempo em casa e são facilmente atraídas pelos perigos. Segundo o tio de Samuel, o analista de sistemas Rafael Novaes, 27, essa foi a causa do acidente com o sobrinho. A embalagem do produto para higienizar alimentos tinha desenhos de frutas e verduras   chamativos, o que despertou curiosidade no menino. 

“A mãe dele tinha acabado de chegar  com   compras do supermercado. Ela deixou as sacolas em cima da bancada da cozinha e, em questão de minutos, ele bebeu o líquido achando que era suco”, explica.

Samuel  teve de ser levado ao hospital com urgência. “Ele não parava de vomitar, o que acabou ajudando na desintoxicação. Além disso, teve que tomar remédio antes de ser liberado. O produto tinha mais de 90% de água sanitária, foi um susto para toda a família”, completa Rafael. Depois disso, a mãe   parou de comprar esse tipo de produto, além aumentar os cuidados.

Remédios trancados e ralos fechados

 Mãe de Rodrigo, de seis anos, a   analista de sistemas Gisele Regner, 41, garante que, para proteger o filho de uma possível intoxicação, guarda os remédios trancados em um armário fora do alcance da criança. Ela também separa os produtos de limpeza e deixa os ralos da casa fechados para evitar a entrada de bichos venenosos. “A única coisa que eu não me preocupo muito são com os cosméticos, pois ele nunca teve o costume de mexer”, conta.

    Entretanto, Gisele ressalta que também é preciso se preocupar com esses itens. “Sou mãe de uma menina e lembro que ela adorava pegar meus produtos de beleza. Como mulher sempre quer imitar a mãe, acho fundamental esconder os cosméticos também, como eu fazia na infância dela”, declara.

Veneno

A policial militar Eunice Rodrigues Gomes, 46, também sofreu quando a filha Isabelle, 5, teve uma intoxicação. A menina foi picada por um bicho venenoso durante um passeio na chácara da família. “No início, não demos muita importância, pois apareceram duas picadas pequenas perto do pescoço. Mas, com o passar dos dias, as picadas foram se multiplicando e crescendo até formarem bolhas   inflamadas. No hospital, o médico diagnosticou que ela estava com celulite, ou seja, uma intoxicação no sangue por veneno de animal”, diz.

Isabelle teve que ficar internada durante dez dias e tomar antibiótico na veia, afirma a policial. “O acidente serviu de alerta. Procuro  sair com repelente, olhar a validade dos alimentos e, principalmente, guardar os produtos químicos e remédios em prateleiras altas”, conclui.

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