Depois de dez anos, for sale a Catedral Metropolitana de Brasília, um dos pontos turísticos mais visitados da cidade, passa por uma nova reforma. Dessa vez, diferente da obra de 1999, mais tempo e dinheiro serão dedicados para restaurar o monumento, que é a mãe das igrejas da capital federal. O Governo do Distrito Federal (GDF) e a Petrobras serão os grandes patrocinadores da obra. Juntos, investirão R$ 25 milhões. A previsão é que até o dia 21 de abril de 2010, quando Brasília completa 50 anos, o templo esteja renovado.
A catedral é uma das principais obras idealizada pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Os primeiros pilares começaram a ser erguidos em 1959, acompanhando a construção de Brasília. Em 1970 foi inaugurada. Desde então, é um dos lugares mais visitados de Brasília tanto por turistas brasileiros quanto estrangeiros de todas as idades, e brasilienses.
“Os alemães por exemplo, dizem que vêm à Brasília só para visitar a catedral. Aproveitam o espaço para cantar, pela boa acústica do lugar”, revela o monsenhor Marcony Vinícius Ferreira, pároco do templo. Segundo ele, cerca de 800 mil pessoas passam anualmente pelo lugar.
Fama internacional
Além das visitas locais, é um dos monumentos arquitetônicos modernos mais conhecidos no mundo. Hoje é uma obra tombada pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Monsenhor Marcony está à frente da igreja desde 1996. Ele garante que desde aquela época vê a necessidade de uma restauração. “Quando entrei, o pároco da época já estava tentando a reforma”, afirma.
Ele explica que há 13 anos, no período de chuva, quando ele chegava no templo para celebrar a missa das 8h30, o primeiro trabalho que fazia era pegar um rodo e tirar a água de dentro da igreja. “Além das go- teiras, havia ratos e escorpiões”, recorda o religioso. Neste primeiro momento, os principais cuidados foram tomados pela comunidade, amigos e familiares dos frequentadores.
A partir daí, começou a longa luta atrás de apoio financeiro para a reforma. Diversos órgãos particulares e dos governos local e Federal conheceram a proposta.
Primeiros sinais
Mas só em 1999 um investimento alto apareceu. Foram R$ 500 mil da Fundação Banco do Brasil e R$ 800 mil do GDF. Com o total, foi possível trocar os vidros externos, implementar a iluminação externa e fazer a impermeabilização do espelho d’água que está ao redor da igreja. “Não foi possível dar atenção a outros pontos importantes, como os vitrais, sinos, entre outros”, lamenta o religioso.
Em 2002, foi a própria presidência da República quem tomou a iniciativa de discutir a reforma. Segundo o monsenhor Marcony, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de um culto ecumênico na catedral, viu os desgastes na obra de Oscar Niemeyer e percebeu a importância de uma restauração urgente. Esta contará com R$ 17 milhões da Petrobras e R$ 8 milhões do GDF.
Padre lamenta atraso
Agora o projeto saiu mesmo das pranchetas, comemora monsenhor Marcony. Em 15 de maio, a primeira etapa foi garantida com investimentos de R$ 11 milhões (R$ 8 milhões da Petrobras e R$ 3 milhões do GDF). Os tapumes e a estrutura que servirá de base para a obra foram levantadas. Até o fim do mês, os trabalhos deverão começar dentro do templo. O projeto foi montado para ser tocado em duas etapas. A expectativa é que a segunda comece no início de 2010, depois que as contas da primeira parte forem prestadas.
De acordo com monsenhor Marcony, a catedral não será fechada para o público durante as obras. A interdição ocorrerá acompanhando as etapas. Em um primeiro momento, a área entre os anjos e o altar ficará bloqueada com tapumes. O batistério deve ficar aberto em razão dos batizados já programados. Na segunda etapa, a interdição será dos anjos até a entrada principal. Neste momento, o altar volta a ser usado no lugar original, dessa vez renovado.
Entre as principais obras programadas para esta fase está a restauração dos vidros externos e dos vitrais de Marianne Peretti. Serão substituídos por materiais que reduzem a absorção de calor. O espelho d’água será impermeabilizado para evitar as infiltrações. Além deles, as vigas que separam as colunas passaram pelo mesmo processo de proteção contra infiltrações.
Tudo Novo
Também está prevista a instalação de um novo sistema de controle que acionará os sinos. Na parte interna, os banheiros, hall de entrada, sacristia e salas administrativas serão reformados. As redes elétrica e hidráulica serão reparadas e as colunas de concreto armado ganharão nova pintura. O projeto de restauração enclue a construção da capela do Santíssimo Sacramento, que completa o projeto de Niemeyer.
Segundo o pároco, a prioridade é a parte externa. Depois vêm as outras etapas. “Estamos muito atrasados com a obra, em vista do aniversário da cidade. Mas pela própria lei, o processo é demorado mesmo”, explica o padre. ” O projeto não contempla só o aniversário de Brasília. A catedral é o cartão-postal da cidade e a igreja-mãe de Brasília. É uma merecida restauração”, ressalta.
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| A Catedral começou a ser construída em 1959 A obra, assinada por Niemeyer, foi concluída 11 anos após o início dos trabalhos, em 1970 Em 1987, foi feita a primeira reforma. Nela, houve a substituição dos vitrais incolores pelos atuais, pintados por Marianne Peretti; e os pilares de concreto foram pintados de branco. Em 1999, passou por outra restauração. Foram feitos a impermeabilização do espelho d’água, a iluminação externa e a troca dos vidros externos. |