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Brasília

Obras abandonadas: creches viram lugar para uso de drogas

Arquivo Geral

31/07/2017 7h09

Atualizada 30/07/2017 20h23

Kleber Lima

JOÃO PAULO MARIANO
redacao@jornaldebrasilia.com.br

Em vez de crianças nas salas de aula, há latinhas para uso de crack, sujeira e restos de comida. Esta é a realidade de creches que começaram a ser construídas, mas não foram finalizadas no DF. Enquanto isso, mães que precisam cuidar dos filhos ficam sem emprego e dinheiro para colocar os pequenos em uma instituição particular. Para piorar, o abandono traz insegurança às regiões. Onze mil crianças estão à espera de uma vaga.

São cinco construções abandonadas depois de as vencedoras da licitação milionária quebrarem – quatro delas em Samambaia. O caso mais grave é o da creche da QS 607 de Samambaia Norte. Quando a obra atingiu os 58% de conclusão, a empresa declarou falência e se retirou do serviço, iniciado em dezembro de 2014. No ano passado, houve o pedido de distrato.

“Fico revoltada. Ocuparam o terreno e não terminaram nada. Se não fosse para ser feito, poderiam ter dado o local para as pessoas morarem”, reclama Lucélia de Oliveira, 31, que carrega para todo lado o filho caçula de seis meses, Gustavo. A mulher, que é mãe de mais quatro filhos, diz que não trabalha mais como diarista porque não tem onde deixar as crianças.

Guilherme, o penúltimo a nascer, tem cinco anos e nunca pisou em uma creche pública. Ele depende da ajuda da irmã mais velha, de 14 anos, e da boa vontade de outros familiares e vizinhos. Lucélia fez a inscrição do menino antes de ele completar um ano, mas até hoje não recebeu resposta alguma. “Eu pago aluguel e o pai dele não tem muito dinheiro. Não dá para pagar um local particular”, diz.

Insegurança

Enquanto isso, a obra é invadida por moradores de rua, usuários de drogas e criminosos. Vânia Oliveira, 41, é mãe de Davi Luiz, de um ano e um mês, e também não trabalha porque não tem condições de pagar uma escola. Ela tem medo de passar próximo à creche da QS 607, pois assaltos são comuns.
A mulher diz que tanto ela quanto o marido tomam todo cuidado ao passar pela região, já que os usuários de droga que se escondem no local são arredios. “A creche seria essencial. Parou por quê?”, indaga Vânia, que mora a poucas ruas depois da obra.

Por meio de nota, a Polícia Militar informa que na semana passada ocorreu uma operação para prevenir roubos e furtos, com o emprego de 70 policiais e seis viaturas. “O policiamento na cidade é feito 24 horas por dia. Além de contar com reforço de unidades especializadas que prestam apoio no policiamento da cidade”, diz. A corporação ainda complementa que mais de 600 criminosos foram presos na região, neste ano.

Déficit deve cair um pouco

A espera de famílias por creches não é um problema que se restringe a Samambaia. A Secretaria de Educação confirma que faltam 11 mil vagas para crianças de zero a três anos em todo o DF. Já para os pequenos de 4 e 5 anos não há mais fila de espera. Em relação aos primeiros, a secretaria não tem obrigação legal. Apesar disso, diz trabalhar para reduzir esse déficit.

Atualmente, são 45 creches que contam com prédio próprio do governo, e outras 59 conveniadas. Para o início do próximo semestre, esses números devem crescer um pouco, pois haverá a entrega de quatro unidades próprias (Sobradinho I, Areal, Brazlândia e na QS 613 de Samambaia) e mais três por meio de convênio.

Previsão

O subsecretário de Planejamento, Acompanhamento e Avaliação da SEDF, Fábio Pereira de Sousa, garante que a construção das creches é uma política pública do GDF e que, além das citadas, outras 15 instituições serão licitadas até o fim deste ano. A meta que até dezembro de 2018 elas sejam finalizadas e estejam prontas para receber a população.

A respeito da creche da QS 607 de Samambaia, o subsecretário alega que a demora para o retorno da construção é devido à necessidade do cancelamento do contrato e de nova licitação, que, segundo ele, deve ficar pronta em meados de setembro. Assim, a finalização da obra seria em no máximo três meses, sendo o próximo passo o recebimento das crianças e dos professores.

Saiba mais

As 15 creches que serão licitadas até o fim do ano ficarão nas seguintes regiões: Gama, Taguatinga, Ceilândia, Samambaia, Recanto das Emas, Planaltina, Guará, Santa Maria, Vila Telebrasília, Vargem Bonita e Estrutural.

As outras creches que paralisaram a construção por falência das empreiteiras em Samambaia ficam na QS 409, QN 425 e QR 204. Porém, a única que estava em um processo avançado de construção era a instituição da QS 607.

No Lago Norte, o mesmo ocorreu com uma instituição que deve ficar no CA 2. Uma creche custa em média R$ 2,7 milhões.

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