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Obra que desabou em Taguatinga estava em situação irregular

Por Arquivo Geral 20/10/2017 8h35
Foto: John Stan

João Paulo Mariano
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A obra que desabou na manhã desta sexta-feira (27) na Avenida da Misericórdia, na Colônia Agrícola Samambaia, em Taguatinga, estava irregular e já tinha sido multada em mais de R$ 13 mil, segundo a Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis). O proprietário do prédio recebia notificações desde dezembro de 2016. A construção chegou a ser embargada, interditada e intimada a demolir. A Polícia Civil procura o dono, que pode ser indiciado por desobediência. A reportagem tentou entrar em contato com o proprietário, porém ele não atendeu às ligações e desligou o celular.

Apesar de ser um dia de trabalho normal na obra, o Corpo de Bombeiros afirma que, até o momento, nenhuma vítima foi identificada. Mais cedo, houve procura por possíveis vítimas, feita com o apoio de cães da corporação. Os responsáveis pela construção fugiram do local logo após o incidente.

De acordo com o major Roberto Souza, do Corpo de Bombeiros, não houve procura de familiares por pessoas que estavam trabalhando no local, por isso a hipótese de que haja alguém nos escombros é mínima. Na hora em que os bombeiros chegaram ao prédio, a estrutura, que tem seis andares e um subsolo, não estava completamente no chão. A laje do sexto andar foi a primeira a cair. Com seu peso, as outras foram cedendo até que só ficassem os escombros.

Riscos

A Defesa Civil examinou a estrutura e concluiu que existem riscos de que parte dela ainda caia. O prédio foi construído em duas etapas, uma na frente – que não cedeu, até o momento -, e outra atrás – que caiu completamente. O subsecretário de Defesa Civil, Sérgio Bezerra, diz que a sustentação do prédio está bem comprometida, com uma viga e dois pilares bem danificados. “Há uma necessidade de escoramento imediato para que o subsolo não desabe”, afirma Bezerra.

Duas casas que ficam atrás do prédio estão interditadas porque a estrutura delas também está comprometida. Agora, o dono do prédio precisa contratar um engenheiro para avaliar a obra e entregar um laudo para a Defesa Civil com informações sobre o que vai ser feito para retirar os escombros.

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Susto

Apesar de apenas duas casas terem sido interditadas e os moradores impedidos de permanecer na residência, quem vive na região afirma ter levado um grande susto. “Todo mundo correu para fora de casa. Foi um barulho muito grande. Pensei que a minha casa estava desmoronando porque a estrutura tremeu toda”, relata a moradora da região Fausta Silva.

Ela garante que a obra estava com todos os trabalhadores e que eles saíram correndo logo após a queda, inclusive o homem que se identificou como mestre de obras. Ele forneceu algumas informações para os oficiais que estiveram no local, mas também fugiu. Nós tentamos entrar em contato com o mestre de obras e com o dono da obra, porém eles não responderam as nossas ligações.

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O prédio recebe autuações da Agefis desde dezembro de 2016. Na época, estava no segundo pavimento. Após essa data, agentes teriam retornado ao local cinco vezes. A obra foi embargada, interditada, intimada a demolir e multada em mais de R$ 13 mil.

A Agefis informou que, em 2017, a programação fiscal resultou num total de 1.152 obras autuadas em Vicente Pires, sendo que 227 delas com autos de intimação demolitória, de embargo e de infração. Por fim, afirmou que grande parte das obras foram multadas por estarem fora dos parâmetros de diretriz urbanística estabelecidos no projeto de regularização de Vicente Pires.








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