O Eixão do Jazz voltou ao Eixão do Lazer pelo terceiro domingo consecutivo. Esse estilo musical toma de conta da área verde da 207 norte a partir das 12h até as 18h. Além da música, o espaço também conta com tendas de comerciantes locais, para valorizar a gastronomia e a arte a céu aberto no centro da cidade.
Para Dudão Melo, produtor cultural e DJ, a volta do evento ao Eixão Cultural foi incrível e cheia de emoções fortes. “Voltamos a temporada felissimos, adoramos ocupar o espaço público com música, arte e gastronomia”. Dudão acredita que o Eixão do Lazer é um case de sucesso não só para o Plano Piloto.
Para Dudão, o jazz tem esse objetivo de resgatar uma tradição, ao mesmo tempo apontar para uma coisa futurista. “Então, esse é o movimento que a gente adora, o show do jazz virou um projeto maravilhoso para a gente”. Dudão acredita que olo retorno do público é imediato quando se está na rua, quando você não tem nem a mediação de terceiros. “Todo mundo junto, sentado na grama, você tocando, as pessoas ouvindo música, poxa, é uma conexão que é diferenciada”.
Esse ano, o Coletivo SuperJazz, responsável pelo Eixao do Jazz está completando vinte anos. Segundo Dudão, eles estão produzindo um documentário sobre a cena de jazz Brasília. “Quero convidar os leitores para comparecerem quinta-feira, para o lançamento do Rebeldes do Jazz no Sesc Garagem”. Para ele, a cena de jazz do DF é uma das melhores do Brasil. “E o Eixão do Jazz é meio que uma grande comunhão de tudo isso”.
Neste domingo (19), várias lojas de discos estavam fazendo exposição no Eixão do Jazz, aproveitando para divulgar a Tropicália Feira de Discos, que vai acontecer nos dias 1 e 2 de junho. Daniel Martiniano, conhecido como Marti, é dono da Otavinho, um dos expositores presentes no Eixão do Jazz. “Tanto eu quanto o André da Astorga Discos, e o Zé Maria da Quitanda Estúdio Galeria, estamos dando uma prévia da feira”.

O vendedor de discos acredita que tem que existir mais espaços assim de lazer e cultura ao ar livre pela cidade. “Esse movimento gera renda para toda a população. Eu sou um ambulante, cara, eu sou um ambulante, eu estou aqui vendendo do mesmo jeito que ela esta vendendo vinho, do mesmo jeito que a moça tá vendendo hambúrguer”.
“A importância de estar aqui é a ocupação do espaço. Brasília é um lugar que convida para isso”. Marti mora em Taguatinga, e acha essencial esse movimento da cultura itinerante.
Marti conta que a loja dele tem uma historia bonita de estar de pé a três gerações. Hoje seu filho de 14 anos o acompanha nos eventos e curte toda essa cultura de discos com ele. Eu tenho muito orgulho porque são três gerações de colecionadores. Então meu acervo não é um acervo simples”.
O músico Guilherme Rocha, 49 anos, coleciona discos e aproveitou o espaço do Eixão do Jazz para dar uma olhada na coleção dos lojistas. Ele sempre está presente no Eixão do Lazer, e acredita que eventos como esse dialogam com a cidade. “Hoje é isso aqui, a realidade nossa. No entretenimento, seja pela cultura musical, pela gastronomia, acho que tudo hoje basicamente é centrado aqui, e isso é positivo”.

Cultura para todos para começar a semana bem
Paulo Black, músico que estava se apresentando no Eixão do Jazz do dia 19, com a banda Paulo Black & Quarteto, também faz parte da produção do evento. “Eu sempre coloco artistas variados para tocar aqui”, afirma. Para o artista, o Eixão do Lazer em si, assim como o Eixão do Jazz, permite que a cultura chegue para toda a população. “Uma cultura de fácil acesso para todo mundo, com música boa e comida bacana. Tentamos facilitar trazendo isso para a rua”.

A bailarina e terapeuta Luana Medeiros, 36 anos, sempre aproveita o Eixão do Lazer, principalmente o Eixão do Jazz. “É sempre uma oportunidade de renovar as energias para a semana”. Para ela, o Eixão do Jazz é um lugar muito familiar, muito acolhedor e que traz essa coisa bem leve, bem suave mesmo para poder começar a semana bem.

O casal de viajantes Paula Macedo, 31 anos, administradora e Rodrigo Fernandes, 32 anos vieram pela primeira vez ao Eixão do Lazer, e estavam curtindo a música do Eixao do Jazz. “A gente está na estrada, a gente parou aqui pra visitar a família que sempre vem ao Eixão nos fins de semana”, conta Paula.

Paula é de Brasília, mas está na estrada há quatro anos. “É legal quando tem cultura e gastronomia disponível ao ar livre, é maneiro, porque a gente gosta de ficar na natureza, vendo menos gente possível”, brinca Rodrigo. “Então é maravilhoso ter esse contato com a arte em Brasília, porque não tem trânsito, é muito arborizado”. Os dois estão na estrada, mas moram em São Paulo, onde tudo é mais corrido, como contaram. “A gente foi ficando no Eixão do Jazz, porque só íamos ver a família, mas fomos ficando e não quisemos sair”.
Tânia Araújo, 64 anos, aposentada, se considera mente aberta e ama visitar os espaços de diferentes estilos musicais no Eixão. “Sempre venho no Eixão, e me amarro em Jazz, quando soube que eles iam voltar a realizar o evento, fiquei feliz”.

Para Tânia, é muito especial que todas as diferentes tribos culturais possam se sentir inseridas e valorizadas com o Eixão do Lazer. “E eu sempre faço propaganda para os meus amigos, tanto os brasileiros que vêm passar férias, quanto os que moram no exterior. A cultura brasileira é muito boa e Brasília está acima neste sentido”.