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Brasília

O espetáculo da fé cristã

Arquivo Geral

30/03/2013 10h35

 

 

A Via-Sacra de Planaltina mostrou ontem porque é considerada a maior do Distrito Federal. Um público de cerca de 100 mil pessoas acompanhou o espetáculo religioso.

 

 
A grande surpresa do evento, que este ano completa 40 anos, ficou para o final. Após a crucificação, veio a aparição de Jesus apontando as mãos para a imagem da Virgem Maria com mais de três metros de altura. Foi o ápice do espetáculo.
Na ladeira que leva até o alto do Morro da Capelinha, efeitos visuais e sonoros fizeram os espectadores se emocionarem. “Venho há 18 anos e cada vez é melhor”, disse Simone da Silva, 28 anos, que, com a filha de três meses no colo, andou um percurso de cerca de três quilômetros.

 

Emoção

 

O evento, que começou por volta das 17h, mostrou a Paixão de Cristo dividida em 15 estações, que representam cenas distintas da via-crúcis. Ainda na primeira, lavando os pés dos apóstolos, Saulo Humberto Soares Gonçalves, ator que interpreta Jesus, emocionou os presentes.

 

“É a primeira vez que venho em 26 anos de Brasília. Estamos muito emocionados”, afirmou o Policial Militar aposentado Sidney Costa, 50, que estava acompanhado da mulher e das duas filhas. Eles saíram do Guará apenas para acompanhar a saga do filho de Deus.

Segurança

 

Bombeiros e a equipe da PM estavam no evento para garantir a segurança do público. Mais de 700 policiais e 180 bombeiros estiveram no local para dar suporte. Dez pessoas se sentiram mal e apenas uma adolescente foi detida enquanto fazia uso de maconha na apresentação. Nenhuma ocorrência grave foi registrada.

 

Quando Jesus passou a ser julgado, começou a chover, mas sem atrapalhar o espetáculo. Assim que Pilatos sentenciou Cristo, o sol foi voltando lentamente.

Promessas

 

Mais cedo, fiéis subiram ao morro para pagar promessas. Muitos aproveitaram a Sexta-feira Santa para acender velas e rezar. Foi o caso da dona de casa Maria Geneise, 59. “Meu pedido foi atendido, graças a Deus. Então, o mínimo que eu poderia fazer é subir ao morro para agradecer todas as graças”, disse, emocionada.

 

 

Artistas atraem 15 mil em Taguatinga

 

 

Suzano Almeida
Especial para o Jornal de Brasília

 

Uma cruz, chicotadas, o som de pessoas gritando a favor e pela morte de um homem que apenas queria levar ao mundo o amor de um Deus e ensinamentos de perdão e fraternidade. O cenário, um teatro de arena montado em pleno  Taguaparque, cercado por aproximadamente 15 mil pessoas, que  choravam e aplaudiam a cada cena da morte e ressurreição de Cristo. O enredo é conhecido há mais de 2 mil anos e contado de várias formas, mas sempre produz o mesmo impacto: pessoas repensando suas atitudes e voltando seus corações a um mundo de fé e esperança em dias melhores. Amanhã, às 19h, haverá  encenação da ressurreição.

 

Interpretado pelo ator Sérgio Marone, Jesus Cristo falou aos seus discípulos para que dividam o pão, amem uns aos outros e que um deles o trairá. Horas depois ele foi preso por soldados romanos, humilhado, espancado, julgado e condenado. “Ele é um exemplo, acabou com a desumanidade das pessoas, mesmo sem o povo acreditar”, afirmou a aposentada Francisca Maria Dantas, 63 anos, que  é mãe do ator que interpretou o rei Herodes.

 

Música

 

Cena após cena, o público acompanhava atento a cada entrada e saída do plantel de aproximadamente 500 atores, entre eles a cantora Elba Ramalho, que trouxe em seu repertório a música Via-Sacra, da Irmã Kelly Patrícia, e Oração de São Francisco.
Já próximo do fim, do alto da cruz, o Cristo perdoa a cada um de seus algozes. Exemplo  que o servidor público Jodivam Rodrigues, 28 anos, quer passar para seu filho Davi Henrique, de apenas seis anos. “Eu o trouxe para que ele conheça um pouco da história e tenha suas próprias convicções”, declara o pai.

 

Crianças carregando cruzes e a narração de um retirante nordestino deram início à encenação da Paixão do Cristo Negro, de Samambaia, que este ano abordou o tema “A violência está matando nossos jovens”, inspirada na Campanha da Fraternidade. Esta é a 17ª edição do espetáculo, que reúne elementos históricos do sacrifício de Jesus e assuntos cotidianos, aproximando os fiéis e o Filho de Deus.

 

“Ao criarmos o Cristo Negro queríamos retratar aspectos da cultura brasileira”, afirmou o coordenador-geral do projeto, Gilberto Alves, que completa: “Nossa intenção nunca foi provar que Jesus era negro, mas identificá-lo com as pessoas”.

Mesmo sob chuva, o militar Aurivan Gomes, 27 anos, e a esposa Luciana da Silva Aquino, levaram os filhos de oito e quatro anos de idade para acompanhar o sacrifício de fé e amor do Cristo Negro. “Esse é um dia santo. Como cristãos, ficamos muito emocionados em participar”, disse o militar.

Ensinamento

 

Para Luciana, as crenças têm se perdido ao longo do tempo, por isso ao levar seus filhos para participar da celebração da Via-Sacra, ela está ensinando um pouco do que acredita. “Temos a visão de que as crianças precisam conhecer e aprender lições de solidariedade e amor ao próximo ensinados por Jesus”, afirmou.

 

Aurivan destacou que este “é o resgate da paixão e do sofrimento de Cristo, que se doou, e que as pessoas se esquecem ao longo do tempo”.

 

O coordenador do projeto acredita que as pessoas que vão até a Paróquia Santa Luzia têm um reencontro com Deus. “A Via-Sacra é um momento de reflexão sobre o sacrifício de doação da vida  de Jesus Cristo e passam a ver Deus no próximo”, explicou.

 

 Segundo a organização, cerca de 10 mil pessoas   acompanharam a encenação, que foi prejudicada por conta da chuva e teve atraso de quase uma hora. Diante de uma arquibancada lotada, a encenação contou com a participação de 250 pessoas, entre atores e produção. A Paixão do Cristo Negro é o maior evento cultural da Samambaia, mas ainda não se sabe onde será realizado no próximo ano. Segundo pessoas da organização, o terreno onde ocorre teria sido vendido para a iniciativa privada.

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