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Brasília

O drama da fome: projetos que alimentam

Arquivo Geral

18/10/2009 1h00

No armário, nada para comer.  No bolso, nada para comprar. Na mente, nada a fazer. Com o olhar longínquo, a maranhense que veio para Brasília há 14 anos resgata uma realidade impiedosa. Joana Bezerra, 34 anos, sabe muito bem o sabor amargo da fome.

Durante os primeiros cinco meses em Brasília, a dona de casa suportou com o marido a dificuldade de não ter um emprego e viver em uma invasão. “Sem comida, não temos força, é difícil até para dormir”, diz. Segundo ela, na época os barracos eram cobertos por lona, as ruas não tinham asfalto, água encanada e nem energia elétrica.

A comadre Heliene Rodrigues, 34 anos, também conheceu o desalento na Estrutural de dez anos atrás. “Quando vim para cá, só tinha poeira”, conta a diarista. Hoje, as duas vizinhas se dizem felizes com a vida que levam e pretendem fixar as raízes no local onde tiveram os filhos. Além disso, contam com a ajuda do governo para sanar a falta de dinheiro e de emprego .

As duas mulheres fazem parte das mais de 372 mil pessoas que passam necessidade no Distrito Federal e recebem ajuda de programas de transferência de renda, assistência social e segurança familiar do governo federal. Até agosto deste ano, cerca de R$ 293 milhões foram investidos em programas para o DF.

Alimentação
Vidas parecidas, hábitos alimentares distintos. Heliene sempre gostou de ter uma comida balanceada e faz questão de manter a mesa cheia de frutas e verduras. Assim como os três filhos, a goiana praticamente não come carne.

Logo do outro lado da rua, a vizinha Joana prepara o arroz com feijão e carne para os filhos e para o marido, que está desempregado há dois anos. Com os R$ 130 do programa Bolsa Família, paga o gás e as contas de água e luz. O que sobra é para a comida e os remédios. “O dinheiro é pouco, mas está segurando as pontas. O importante é que não estamos passando fome”, diz.



 

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