Rollemberg não mediu palavras ao descrever o calvário do governo para honrar com os compromissos com os servidores, na reunião de ontem com a base. Depois de repetir o mantra da herança maldita deixada pelo antecessor, o governador enfatizou a severa crise econômica nacional. Para pagar reajustes e compromissos com as categorias, o socialista deixou clara a necessidade de novas fontes e reforço da arrecadação.
E no meio da conversa, Rollemberg soltou um balão de ensaio: retomar o projeto de atualização da tabela do valor venal dos imóveis no Distrito Federal. No discurso do governo, a medida levaria a uma correção no ITPU, pois a tabela está defasada em vários anos. Na prática, a mudança levará a um aumento do tributo no bolso do contribuinte.
Não assustou
O balão não assustou os distritais. Mas o tema é delicado e espinhoso. “O projeto ainda está na Câmara. O governo não está impondo. Mas tem argumentos. Belo Horizonte tem menos imóveis do que o DF e arrecada muito mais com o IPTU. A discussão é válida. Mas por enquanto, o governo não está estudando formalmente o retorno dela, apenas levantando-a de novo”, comentou um personagem governista. Um distrital ainda emendou: “É apenas uma especulação. Mas pode ser algo que ajude a aquecer a economia. Vivemos uma grande crise neste momento”.
A ressurreição da pasta dos condomínios
Na conversa, Executivo e Legislativo começaram a ponderar sobre a ressurreição da secretaria de regularização dos condomínios. Parlamentares defenderam que a volta do pasta poderia acelerar o processo de regularização e, consequentemente, reforçar a arrecadação do IPTU e demais impostos fundiários.
O dilema da Polícia Civil
O ponto crítico da conversa foi o reajuste da Polícia Civil. A categoria exige o cumprimento da promessa de isonomia com a Polícia Federal. O governo considera o pleito justíssimo, mas a situação econômica torna a situação complicadíssima. Pelas contas do GDF, o reajuste vai impactar a folha em R$ 400 milhões, em 2017.
A medida também fará com que Polícia Militar e Corpo de Bombeiros peçam recomposições semelhantes. Hoje governo e representantes da Polícia Civil sentarão em uma mesa de negociação em busca de uma solução. Mas, francamente, o cenário é desfavorável.
Cabo de guerra
Terminou sem consenso a reunião entre representantes do Fórum Distrital de Educação e o Ministério Público sobre a Escola Superior de Magistério. A partir de uma ação civil pública, a Promotoria de Justiça de Defesa da Educação (Proeduc) conseguiu a paralisação da universidade distrital no Tribunal de Justiça do DF.
O debate foi civilizado, mas ambas as partes não chegaram a um consenso. Agora, professores da rede pública preparam um recurso judicial e uma mobilização nas redes sociais.
Hoje é dia de Uber
O governador sanciona hoje o projeto que regulamenta o Uber no DF. Na verdade, a lei valerá para todo tipo de transporte gerenciado por aplicativos, mas quem levou a fama foi o Uber.
Assumindo a liderança
O tesoureiro do PDT, Guttemberg Gomes, assumiu a liderança nas articulações pelo comando da secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social. O personagem possui bom relacionamento com a atual equipe da pasta. E como a ideia do partido e seguir com o trabalho iniciado por Joe Valle, Gomes é uma opção coerente.
Nem tão vitaminada
A vitaminada pasta do Trabalho perderá um pouco de peso. O Buriti pretende devolver a independência para a secretaria da Mulher. O espaço está caminhando para as mãos do PSB.
Passos assustadores
Chamado como o pacote do terror pelos servidores públicos, o PL 257 voltou a tramitar no Congresso Nacional. A situação mobilizou vários personagens do DF em favor das categorias. A lista inclui: Rogério Rosso (PSD), Wasny de Roure (PT), Érika Kokay (PT) e até o presidente do TCDF, Renato Rainha.
A discussão é quente. Mas o Governo Federal deixou claro que de um jeito ou de outro a tesoura irá cortar benefícios das categorias. A discussão prossegue nesta terça e existe a expectativa que o projeto vá para votação no plenário da Câmara dos Deputados.