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Brasília

O amigo dos animais

Arquivo Geral

13/05/2013 7h08

A felicidade para uns é ter dinheiro, uma boa profissão, a casa própria ou até mesmo um carro novo. Já para Valter do Teté, mais conhecido como Seu Loiola, de 61 anos, a felicidade  está em cuidar de cães e gatos abandonados. Ele não pode ver um animal sofrendo que logo se dispõe a ajudar.

 

Sempre muito carismático,  por onde passa Loiola acaba convencendo outras pessoas a abraçar a causa. Atualmente, ele cuida diariamente de 16 gatinhos e mais de 35 cachorros. “Isto sem contar os que eu paro o carro, quando vou para algum lugar, só a fim de  alimentá-los”, diz o técnico administrativo.

 

Todos os dias, ele faz o percurso de Taguatinga a Ceilândia, onde trabalha. No caminho, ele para no Ginásio do Serejinho para ver como está o vira-lata Gardenal. Basta um assovio para o cachorro ir ao encontro de Seu Loiola. A simpatia de Gardenal é tanta que conquistou outras pessoas que também ajudam em seus cuidados. Sua comida favorita é mortadela. 

 

Adoção

Chamando cada animal pelo nome, Loiola alimenta e dá carinho. “Já consegui fazer com que muitas pessoas também se sensibilizassem e acabassem os adotando”, conta. Até pagar tratamento de quimioterapia para cachorros ele já fez.

 

Loiola procura se informar. “Contrato veterinários para cuidar deles, dar vacinas e sempre peço orientação”, conta. Em seu carro, além de ração, há também remédios. Por mês, ele compra cerca de cem quilos de ração – os gastos ultrapassam os R$ 900. “Não ligo  porque sou feliz ao lado deles”, diz.

 

A dedicação toma quase todo o seu dia. “Na volta do serviço,  antes de almoçar, eu vou conferindo como está cada um dos cães e gatos que cuido. E à noite, passo para alimentar mais alguns”, destaca.

 

Quem também tem um lugarzinho no coração de Loiola é a Branca de Neve, uma gatinha que acabou de ter  três filhotinhos – um deles foi atropelado recentemente. Mas no que depender do servidor público, os demais crescerão bem de saúde e terão seus lares em breve. “Vou levá-los ao veterinário para fazer uma avaliação e vaciná-los assim que puder”, informa.

 

 Já Leoa, uma  vira-lata, teve sete filhotes de uma vez. Alegria ainda maior para Seu Loiola. “Esses ficam pertinho do meu apartamento, então venho sempre que posso ver como eles estão”, relata.

 

Mordomia em casa

A paixão pelos cachorros está por todo lado. Em casa, Seu Loiola apresenta o Ricck e o Beethoven, cães da raça maltês. “Minha mulher diz que vivo para eles”, completa. E não é para menos. A esposa, que é alérgica, tem que dormir em outro quarto porque Loiola faz questão de deixar a cama para suas paixões. “Eu durmo na rede”, sorri. 

 

Quando retorna à cidade natal, o técnico administrativo percorre mais de dois mil quilômetros  com a mulher. No caminho, ele para a fim de alimentar e dar remédios aos animais que encontra abandonados pelo caminho. Esta rotina também é cumprida enquanto ele anda pelo Distrito Federal. “Não consigo simplesmente passar, fingindo que não estou vendo o sofrimento deles”, conta. 

 

De berço

O carinho pelos animais, segundo ele, vem de berço. “Meus avós gostavam muito. Sou cearense, criado em fazenda e o contato com os animais sempre foi presente em minha vida”, relembra. Desta forma, Loiola revela não se acostumar com o tratamento dado para os animais em cidades grandes. “O abandono é triste, muitos são largados somente porque estão velhos”, diz.

 

Somente o que ele pede é saúde e paz para cuidar dos animais, que como diz, são indefesos. E quando alguns dos xodós de Loiola morrem, a tristeza toma conta dele por dias. “Fico arrasado, porque considero como se fossem integrantes da minha família”, revela. 

 

A quem recorrer?

Animais abandonados podem ser encaminhados à Zoonoses,  que fica no Sain, Estrada Contorno do Bosque, lote 4, Asa Norte, ao lado do Setor Militar Urbano. A instituição também faz doação dos animais. Mais informações podem ser obtidas por meio dos telefones 3341-1900 e 3341-2084.

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