Kamila Farias
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Nos três primeiros meses deste ano, 1.319 pessoas foram autuadas pela Lei Seca. No mesmo período do ano passado, foram 2.777 autuados. Os números, porém, não são para comemorar. Ao contrário do que se pode imaginar, a redução não ocorreu devido a uma maior conscientização dos motoristas de evitar pegar o volante após beber. A queda é decorrente, na verdade, de uma redução na fiscalização por conta da Operação Tartaruga da Polícia Militar, iniciada em fevereiro e que teve duração de dois meses. Durante este período, as blitze deixaram de ocorrer.
De acordo com o diretor de Policiamento e Fiscalização do Departamento de Trânsito (Detran), Nelson Leite, a PM é responsável por boa parte das autuações a motoristas infratores. “Esses números são em função da greve da polícia, pois a fiscalização do Detran continua a mesma, com operação exclusiva de Lei Seca todos os dias. Sabemos que o número de fiscalizações é baixo e o efetivo pequeno, mas a gente se esforça para fazer essa operação diariamente, mesmo sabendo que deveria ser ainda mais constante”, ressalta Nelson Leite.
Este ano foram 619 autuações em janeiro, caindo para 459 em fevereiro e diminuindo mais em março, para 241. Já em 2011, os números foram mais elevados. Em janeiro, foram 685, aumentando para 925 em fevereiro e 1.167 em março.
Campanhas
Nelson Leite afirma que a Operação Funil, organizada pela Secretaria de Segurança Pública, também tem dado apoio ao órgão e realizado blitze para tentar coibir os motoristas que insistem em continuar bebendo e dirigindo. A operação reúne Detran, polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros, Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e a Polícia Rodoviária Federal. “Temos a consciência de que quanto mais fiscalização se tem, mais medo a pessoa terá de beber e dirigir e, consequentemente, diminuirá o número de autuações“, observa. Essa medida aliada a campanhas educativas seriam uma forma de conscientizar os motoristas brasilienses.
Segundo o diretor do Detran, é perceptível que os brasilienses não mudaram seus hábitos devido à Lei Seca. “A gente percebe todos os dias que o número de condutores que dirigem bêbados não diminui. Eles estão dando a entender que o hábito continua inalterado. O cidadão mantém a ideia de que as coisas só acontecem com os outros, tanto os acidentes quanto os flagrantes. Ele conta com a sorte e passa a desrespeitar”, comenta.