Menu
Brasília

Número de mulheres presas cresceu 16% entre 2008 e 2009

Arquivo Geral

26/06/2010 21h11

Francisco Dutra

francisco.dutra@jornaldebrasilia.com.br

 

Cada vez mais filhas, mães e até avós deixam suas famílias para cumprir pena nas prisões do Distrito Federal. Segundo o Sistema Integrado de Informações Penitenciárias (InfoPen), do Ministério da Justiça, o crescimento do número de mulheres presas é assustadoramente maior do que o aumento da população carcerária masculina. Entre os anos de 2008 e 2009, o número de homens condenados avançou de 7.707 para 7.722, um tímido crescimento de 0,1%. No mesmo período, a população feminina passou de 374 para 435, um salto  de 16,3%.

 

O Infopen também levanta outro preocupante retrato feminino no DF: 80,9% das detentas cumpre pena por tráfico de drogas. Ou seja, a cada dez mulheres presas na capital federal, oito estão vivendo atrás das grades por venda de entorpecentes. A proporção é muito maior do que a média nacional. 

 

Brasil

De acordo com o Ministério da Justiça, aproximadamente 30% da população carcerária do Brasil cumpre pena por tráfico. No DF, essa proporção é parecida, chegando a 29%. Observando apenas a população masculina, descobre-se que  25% dos detentos cumprem pena por associação com o comércio ilegal de crack, cocaína e afins.

 

Aos olhos da professora de Direito Penal e Criminologia, Ela Wiecko Castilho, o avanço acelerado da população feminina no sistema penitenciário do DF preocupa. “É um crescimento assustador em tão pouco tempo”, comenta. Segundo a especialista, grande parte das mulheres presas por tráfico de drogas se envolveu com o crime por causa dos companheiros, em geral diretamente ligados à venda de tóxicos. Casadas, ou mesmo namorando, elas apostam no tráfico para completar o orçamento, seja para manter a casa, seja para se divertir com o marido ou namorado. Parte delas, inclusive, foi presa por tentar levar drogas para os parceiros ou outros familiares dentro da própria prisão.

 

Outra característica da crescente população feminina no Sistema Penitenciário do DF é a baixa escolaridade. De acordo com o Infopen, a maioria das detentas não conseguiu completar o Ensino Fundamental. E do total de 435 presas, apenas duas possuem o diploma de conclusão do Ensino Superior. Isso reforça a forte ligação entre a criminalidade e a baixa escolarização do cidadão ou cidadã. Sem estudos ou possibilidade de formação para buscar um bom emprego, essas pessoas apelam para a “roleta russa” da vida criminosa.

 

Leia mais na edição deste domingo (27) do Jornal de Brasília.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado