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Brasília

Número de motociclistas mortos dobra em 11 anos

Arquivo Geral

27/01/2013 8h47

Da Redação

redacao@jornaldebrasilia.com.br

 

A taxa de mortes em acidentes envolvendo motocicletas está crescendo assustadoramente em todas as unidades da Federação, com quadros alarmantes, como mostra pesquisa da  Confederação Nacional de Municípios (CNM). No Distrito Federal, a frota de motos cresceu cinco vezes entre 2000 e 2010, passando de 24.400 para 148.535.

 

Este é um fator que potencializou enormemente a quantidade de acidentes com mortes e  de internações em hospitais. Com isso, o índice de mortes saltou de 2,2 por 100 mil habitantes, no mesmo período, para 4,5 por 100 mil habitantes. O número de mortes no período registrou aumento de 101%, fechando 2011 com 119 óbitos, contra 59 em 2000. 

 

Em todo o País, o número de mortes em acidentes com motos cresceu 339% no período de 2000 a 2010, com um aumento de frota de 293%, ou seja, a taxa de mortes por acidente de trânsito com motocicleta teve um crescimento progressivo e acentuado, passando de 1,5 mortes a cada 100 mil habitantes em 2000, para 5,7 em 2010. 

 

Gastos

Segundo o Ministério da Saúde, o custo de internações por acidentes envolvendo motociclistas pagas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Distrito Federal dobrou nos últimos quatro anos, passando de R$ 434 mil  para R$ 868 mil. O crescimento dos gastos, na verdade, acompanha o aumento das internações, que saltou de 420 para 892 hospitalizados no período.

 

Para prevenir e reduzir a violência no trânsito, o Governo Federal lançou o Projeto Vida no Trânsito em todas as capitais brasileiras  em junho de 2010. Trata-se de uma ação interministerial desenvolvida em parceira com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e a Bloomberg Philanthropies, fundação internacional de promoção de atividades na área social. “Este projeto permite ampliar as políticas de qualificação, planejamento, monitoramento, acompanhamento e avaliação das ações a partir de fatores de risco”, diz a pasta, por meio de sua Assessoria de Imprensa.

 

Risco de acidentes é constante

Há sete anos trabalhando como motoboy e enfrentando o trânsito nas ruas de Brasília e Goiás, Fabiano Siqueira, de 32 anos, já sofreu diversos acidentes, porém nenhum considerado grave. “Das vezes em que me acidentei, algumas foram provocadas por colisão com carros e até mesmo quedas simples em época de chuva, quando o óleo fica espalhado nas pistas”, explica Fabiano.

 

Consciente de que o equipamento de trabalho é perigoso, o motoboy procura tomar algumas precauções. Em sua moto, por exemplo, há antena corta pipa, que é recomendada pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). “Temos que nos preocupar em  prevenir acidentes, assim como também é preciso evitar ferir outras pessoas”, diz.

 

Perigo constante

Assim como o colega de profissão, Francisco de Assis Pedrado, de 32 anos, já passou por dois acidentes. O último,  mais grave, resultou na quebra de seu maxilar e perda de nove dentes. “Eu estava atrás de um carro, quando o motorista freou, bati a roda dianteira da moto e capotei”, explica. 

 

Apesar dos acidentes simples ou mais graves, estes motoboys dizem que andar de moto é saber que há o perigo constante. “Sabemos dessa possibilidade desde o momento em que fazemos a autoescola. Temos que arriscar”, diz Francisco.

 

Adequação às novas regras

 Apesar da consciência dos motoboys sobre os riscos diários no trânsito, grande parte deles ainda não se adequou às novas normas da lei que estabelece algumas exigências de cursos e equipamentos. A fiscalização, que já foi adiada algumas vezes,  começa a partir de 2 de fevereiro. 

 

O motoboy Fabiano Siqueira diz que chegou a fazer o curso gratuito disponibilizado pelo Sindicato dos Motoboys, que incluía 200 horas de aula e garantia o certificado. Porém, o desafio dos motoboys que fizeram esse curso é conseguir a validação do documento perante o Denatran e em seguida passar na fiscalização do Detran. “Participei de todas as aulas, comecei a comprar o equipamento e não valeu de nada”, explica. Além disso, os profissionais reclamam do alto custo dos equipamentos. 

 

Modificações

De acordo com Denatran, além da modificação no prazo de fiscalização deste curso, ficaram decididas duas outras importantes alterações. A primeira aumentou o rol de entidades que poderão oferecer os cursos especializados. Agora, eles poderão ser promovidos também pelos Centros de Formação de Condutores (CFCs) e por entidades de ensino, desde que estas comprovem a capacidade técnica que é necessária. 

 

A segunda alteração definiu que o curso pode ser realizado tanto de forma presencial, quanto por ensino a distância, com o objetivo de facilitar o acesso dos motoristas ao treinamento. Inicialmente, havia sido divulgado que o curso só seria oferecido pelos Departamentos Estaduais de Trânsito e pelos serviços Social do Transporte (Sest) e Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat).

 

De acordo com o presidente do Sindicato do Motociclista do DF, Reivaldo Alves, atualmente 90 dos 40 mil motociclistas profissionais  estão circulando com a placa vermelha – uma das medidas designadas aos profissionais. “Dois mil cursos foram feitos e somente 800 foram reconhecidos até hoje”, diz.

 

O presidente do Sindmoto diz que dia 1° será feita uma manifestação em frente ao Ministério do Trabalho para reivindicar os dez mil coletes que não foram entregues aos trabalhadores. “Outra medida prometida para nós, foi a isenção do IPVA e o financiamento das motos, o que não ocorreu”, diz.

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