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Brasília

Número de cirurgias estéticas crescem 20% entre os homens

Arquivo Geral

24/01/2014 11h40

Cuidar do corpo e da aparência está longe de ser privilégio das mulheres. Em busca de bem-estar e satisfação pessoal, os homens se tornam clientes fiéis de procedimentos associados à beleza. E cada vez mais também procuram clínicas de estética, profissionais médicos e cirurgiões plásticos. 

Em dez anos, a procura por procedimentos cirúrgicos pelos pacientes homens  cresceu 20%, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), que mostra ainda um aumento de 5% para 25% no índice de atendimentos operatórios em pessoas do sexo masculino. Uma pesquisa do Datafolha confirma isso. Os procedimentos estéticos já fazem parte do cotidiano de 12% dos homens brasileiros. Outros 41% já adotaram alguma cirurgia reconstrutora.

A procura pela correção de alguma característica indesejada varia desde os procedimentos mais simples, como alteração em alguns detalhes do contorno facial, até as mais detalhadas. Pequenos ajustes no nariz são a opção mais recorrente, mas o rejuvenescimento do rosto e a cirurgia de pálpebra são outros detalhes de bastante interesse pelo público masculino. 

Lipo e gineco

O secretário-geral da SBCP, Luciano Chaves, destaca que a lipoaspiração e a ginecomastia estão entre os serviços procurados por eles. Entre inúmeras opções, os implantes capilares e a cirurgia bariátrica não ficam de fora. 

Cirurgião plástico, Chaves ressalta que os interesses de mulheres e homens se diferenciam. Elas procuram embelezamento, ao contrário deles, que têm interesse maior pela melhoria da imagem pessoal. Os procedimentos faciais e de pálpebra lideram o ranking das cirurgias masculinas. “Os homens querem melhora da imagem até para o mercado de trabalho. Uma face envelhecida, no início da manhã, demonstra cansaço. Quando se reconquista a imagem a aparência se torna mais saudável”, explica.

Segundo o médico, a saúde e o bem-estar melhoram o desempenho no trabalho. Os bons resultados podem estar atrelados a uma satisfação pessoal. “Isso não é só prerrogativa masculina, mas tanto homens quanto mulheres buscam procedimentos que contribuem para o aumento da realização própria”, destaca.

Exigência da profissão

O personal trainer Allan Lucena, 33 anos, começou a corrigir alguns detalhes na face que o incomodavam em outubro do ano passado. Primeiro, o também modelo procurou um profissional para modificar um pouco o nariz, que tinha um detalhe profundo. Por estética ele também quis amenizar o franzido da testa. “As modificações iniciais foram para deixar o nariz mais reto e retirar algumas expressões da testa. Como comecei na área de modelo já gerenciado, procurei melhorar outros ângulos e aperfeiçoar os procedimentos”, conta.

No último dia 2, Allan passou por um preenchimento da maçã do rosto e enquadramento da mandíbula, além de ter aumentado um pouco o queixo para compensar as formas faciais. Não só em busca de satisfação o personal quis procurar novos métodos, inclusive por causa da função de modelo. “A autoconfiança aparece e acaba que é desvinculado aquilo que incomodava, sem problema para sorrir. O resultado foi muito positivo, com qualidade no trabalho. Além de satisfação pessoal, os procedimentos foram por uma necessidade”, comemora Allan.

Antes de passar pelas experiências, Allan manteve contato com o médico especialista por oito meses. Ele também procurou conversar com pessoas próximas que tinham feito o procedimento para esclarecer dúvidas sobre pós-operatório, inchaço e perfeição do rosto depois dos preenchimentos. “Isso não muda minha identidade. Tanto é que se fosse algo que ficasse tão diferente eu não teria nem feito”, destaca.

Todo esforço é válido

Kesley Rodrigues, 33 anos, também passou por algumas mudanças após emagrecer quase vinte quilos. Em junho do ano passado, o publicitário pesava 98,7kg, mas após atividades em academia, esporte e corrida durante todos os dias da semana ele perdeu peso. A balança passou a marcar 79kg e a o percentual de gordura, que ficava na marca  dos 32%, passou para 17%. Por causa das alterações, Kesley optou pela aplicação de colágeno na barriga e na papada embaixo do queixo para retirar as gorduras localizadas.

“Saí do sedentarismo e fui atrás de saúde. Comecei a ver que isso dava resultado sem perder a identidade. Tanto é que as pessoas notam a evolução, comentam que eu emagreci, mas não notam diferenças bruscas”, explica. Para Kesley, a falta de conhecimento faz com que muitas pessoas atrasem o cuidado com a estética  por não saberem o que os procedimentos já oferecem. “Os homens estão indo às clínicas, assim como as mulheres, e em grande massa. É a busca pela autoestima”, conclui. 

Escolha do bom profissional

Há mais de 40 anos José Carlos Daher é cirurgião plástico. O médico esclarece que quase 15% dos procedimentos clínicos no Distrito Federal são feitos em homens. O especialista destaca a necessidade de o paciente estar atento a produtos que estejam necessariamente registrados na Agência Nacional de Saúde (ANS). 

Além disso, os profissionais  precisam ser médicos especializados na área. Caso contrário, os resultados podem ser extremamente negativos. “Um procedimento ou produto não autorizado pode originar   contaminação, reação tóxica e até alérgica no paciente. Em algumas situações causa empedramentos e o resultado pode ficar incontrolável”, afirma.

Abaixo o preconceito

“O público masculino está se desprendendo de preconceitos antes enraizados. Agora eles buscam o que o mercado oferece como objeto de consumo que inclui serviços de cirurgia plástica atrelado a bem-estar”, revela.

“Antes havia um padrão de que a mulher tinha de ser bonita, mas homem precisava estar bem consigo mesmo. Hoje, com a liberação dos hábitos e costumes, o público masculino está com maior liberdade e com menor receio de assumir a necessidade de estar bem”, esclarece.

Daher explica que o preenchimento facial é procurado por causa do conceito de juventude. “As pessoas mais velhas perdem as maçãs do rosto e aparecem os chamados bigodes chineses. Esses detalhes podem ser melhorados com um simples preenchimento de enxerto de gordura ou produtos reabsorvíveis durante um ou dois anos”, ressalta.

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