As fraudes nos serviços do transporte público não foram completamente resolvidos desde que o Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans) assumiu a responsabilidade do Sistema de Bilhetagem Automática (SBA), em junho de 2011. O sistema era controlado pela empresa Fácil, comandada pelas empresas de ônibus.
Uma das mais recentes suspeitas de irregularidades aponta para um total de 1.884 passageiros que teriam embarcado em um coletivo da Rotha Transporte, no dia 23 de fevereiro deste ano numa viagem fictícia de 51 minutos saindo da W3 Sul com destino ao bairro de Arapoangas, em Planaltina, no horário entre 18h31 às 19h22.
O caso ocorreu no período entre os dias 19 de janeiro e 25 de março, quando a empresa não estaria autorizada a operar pelo sistema de transporte em razão do contrato ter sido expirado. A suspeita ocorre devido à validação, por 77 vezes, na viagem, de créditos do vale-transporte em um período menor que um minuto para a viagem num coletivo não autorizado.
Metade do preço
Ao Jornal de Brasília , o então administrador da Rotha Transporte, Wanderley Espíndola, confirma que funcionários de empresas ofereceram a venda dos créditos pela metade do preço. “Paguei e após consultar o DFTrans passei os cartões no sistema, ao ser informado que não há legislação que limite a quantidade de vezes que um vale pode ser computado”, conta.
Diante da confirmação, Espíndola disse que recebeu do Sistema de Bilhetagem Automática, o valor compatível pelo registro de 1.884 créditos. “Emiti nota fiscal, recebi o valor e recolhi o imposto. Um dos contratos da empresa tinha vencido, mas havia outro aprovado aguardando apenas ser assinado.”
O diretor-geral do DFTrans, Marco Antônio Campanella, explica que o Sistema de Bilhetagem Automática dos coletivos da empresa não foi desativado, uma vez que a Rotha Transportes estaria em processo de renovação. “Os validadores não foram desabilitados. Estamos buscando identificar a responsabilidade da validação dos créditos”, explica. “O sistema depende de auditoria manual. Se forem identificadas falhas, o responsável pela Rotha Transportes será intimado para apresentar defesa e, se ela não for aceita, o valor será descontado”, completa Campanella.