Os estragos estão por toda parte. Asfalto rachado, erosões, queda de muros, alagamentos e até a destruição completa de uma casa. Depois do temporal, a única solução para Vicente Pires foi montar um gabinete de crise na cidade. Ou seja, unir forças de vários órgãos, entre eles a Defesa Civil e a Novacap, para identificar pontos de risco e evitar problemas maiores. Pelo menos seis ruas e quatro residências tiveram danos causados pela enxurrada.
“Foi uma chuva torrencial. Em uma hora, choveu mais ou menos 30 milímetros. É muita coisa. Por isso, os estragos tiveram essa proporção”, explica o major da Defesa Civil Mário Henrique Furtado. Ele avalia que boa parte das perdas em residências acontece também em virtude da falta de acompanhamento técnico na hora da construção. “ A falta de um engenheiro para avaliar o que é necessário nas casas aumenta a chance de acidentes”, apontou.
Uma casa da Quadra 17 da Vila São José desabou com a força da água. “Um dos pilares afundou na sala e rachou a laje. Se tivesse tido, antes, um técnico para avaliar a estrutura, provavelmente isso poderia ter sido evitado”, aponta o major da Defesa Civil. As instruções foram dadas ao morador. Agora, destacou Mário Henrique Furtado, o máximo que o órgão pode fazer é pedir para que a Agência de Fiscalização acompanhe se a determinação foi cumprida.
Água acumulada
O dono da casa, João Batista, 59 anos, acredita, porém, que não se trata de irresponsabilidade na hora de erguer a edificação. “É um fato que aconteceu em vários lugares de Vicente Pires. A chuva foi muito forte, acima da média. Acumulou água no muro que divide o meu lote com o outro. Com o peso, o muro caiu e quebrou uma das vigas de sustentação”, detalhou. “Agora, é refazer, porque vamos, eu e minha família, se Deus quiser, morar aqui sim”, afirmou. A Defesa Civil interditou as proximidades da obra.
Para o trabalho de análise de risco nos locais atingidos, foram necessários 15 agentes da Defesa Civil, além do acompanhamento da administração regional e Novacap, que colocou brita onde o asfalto rompeu. Para moradores, é provável que, numa próxima chuva, os problemas se repitam. “Toda vez, o asfalto é arrancado”, diz o comerciante Alessandro Dias, 44 anos.
Drenagem de águas pluviais é fundamental
No DF, segundo o major da Defesa Civil Mário Henrique Furtado, pelo menos 36 áreas apresentam risco de acidentes com as chuvas. De acordo com o órgão, Ceilândia, Sobradinho II e Arniqueiras somam, pelo menos, oito locais ameaçados pelas enxurradas. Em Vicente Pires, após a tempestade, uma casa, dois lotes e um prédio sofreram com a força das águas. Nas ruas, a falta de um sistema de escoamento de água é apontada como uma das principais razões para o surgimento de buracos.
“Vivo aqui há 51 anos e sempre foi assim. Quando chove, vira mar. Só dá para sair de casa se for de canoa”, reclama o comerciante João Pereira de Souza, 68 anos. Segundo ele, as ruas 7 e 8 são as que mais sofrem durante os temporais. “Rompe cano e tudo. É triste, viu? Eu, graças a Deus, nunca tive água invadindo minha casa, mas tem condomínio que fica parecendo uma cachoeira”, destacou.
Em algumas vias, há buracos com mais de 15 metros de extensão. “Por ironia, a administração havia recapeado antes de ontem. Choveu e o buraco abriu novamente. É um problema de drenagem de águas pluviais, claro. Não vai ser fácil de resolver. Para nós, comerciantes, é um problema porque ninguém quer parar o carro aqui”, contou o dono de um supermercado Eudes Geraldo da Silva, 48 anos.