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Brasília

Novos detalhes sobre a morte do comerciante que cobrou pelas sobras

Arquivo Geral

17/01/2013 10h40

Luís Augusto Gomes
luisaugusto@jornaldebrasilia.com.br

 

 

A oferta é: R$ 7,99 para comer à vontade, desde que não haja desperdício, ou R$ 14,00 o quilo. As condições foram estipuladas para os clientes do Restaurante Trevão, em Mestre D’Armas, Planaltina. Entretanto, dois rapazes que entraram no estabelecimento com duas mulheres deixaram sobras de comida nos pratos. No dia seguinte, eles retornaram ao estabelecimento com mais um casal.

 

 
O proprietário,  Josafá Pereira da Silva, alertou-os de que poderiam comer à vontade, mas, se houvesse sobras, ele cobraria R$ 2,90 pelo desperdício. Os rapazes não gostaram  da advertência e se levantaram sem almoçar. Uma hora depois, dois voltaram. Um deles perguntou quem era o dono do restaurante. Josafá almoçava em uma mesa. Levantou uma das a mãos e respondeu à pergunta.  O rapaz retirou uma calibre 38 da cintura e disparou cinco vezes. Três  tiros atingiram a cabeça, o braço e perna da vítima. Outros dois ficaram na mesa onde ele almoçava.

 

Questão de honra

 

O comerciante chegou a ser levado ao Hospital Regional de  Planaltina, mas não resistiu. Os suspeitos  entraram em um Versailles vermelho que os aguardava, e fugiram.  Câmeras do circuito de segurança de lojas vizinhas registraram a fuga. As imagens já estão com investigadores da 16ª DP (Planaltina), responsável pelo caso.

 

 O crime ocorreu terça-feira à tarde. Para o delegado-chefe, Edson Medina, a prisão do autores é uma questão de honra. Ele explicou que as diligências começaram imediatamente, e serão ininterruptas, na certeza da identificação e captura dos suspeitos. “Quem tiver qualquer informação pode ligar para o 197,” pediu. O restaurante permanece fechado desde o dia do crime. Família disse que quer que a Justiça seja feita.

 

Para a família  de Josafá Pereira da Silva, o assassinato pode ter sido encomendado. O comerciante, ex-motorista de uma empresa de transporte coletivo,  montou o restaurante há um ano e quatro meses.  Por causa da boa comida, do tratamento dispensado aos clientes, e do preço, estava crescendo e incomodava concorrentes da região.

 

Segundo Adenias Pereira, da Silva, 50 anos, irmão mais velho de Josafá, o espaço ficou pequeno e o comerciante estava construindo um restaurante bem maior nas proximidades. Já havia, inclusive, comprado todo o maquinário: balcão, mesas e cadeiras. Pretendia se mudar até o fim do mês. Por isso, a suspeita de morte encomendada.
“Não houve motivo. Meu irmão apenas alertou-os. No dia seguinte, voltaram o e o mataram sem chance de defesa”, lamenta.

 

Família grande

 

Josafá  tinha outros dez irmãos,  filhos de um casal de agricultores da pequena cidade de Jaíba, no Norte de Minas Gerais, a cerca de 550 km de Brasília. A família já havia morado no DF, em São Paulo, Tocantins e São Luís (MA). Ele esteve em sua cidade natal em julho passado, durante as Bodas de Ouro dos pais.

 

Todos vieram para se despedir de Josafá, inclusive, o pai Mário Pereira da Silva, 70 anos. De origem humilde, ele não entende a violência da cidade grande. “Era um bom motorista. Eu ficava emocionado em ver ele estacionar um caminhão”, disse o pai.
Josafá era casado e tinha três filhos. Ele será sepultado hoje, no Cemitério de Planaltina.

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