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Novo Lázaro: Medo e revolta marcam velório das vítimas

Familiares e amigos da vítima revelam que não imaginariam que o criminosos seria capaz de tamanha crueldade

Por Tereza Neuberger
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Nesta terça-feira (30) familiares e amigos foram se despedir de Raniere Aranha, de 19 anos, e da filha Geysa Aranha, de apenas 2 anos e 9 meses, cruelmente assassinadas por Wanderson Mota Protácio. O enterro das vítimas ocorreu na manhã desta terça-feira (30/11), no Cemitério São Miguel, em Corumbá de Goiás.

Raniere, que estava grávida de 4 meses do assassino, estava morando com ele há apenas 5 meses. Familiares da vítima afirmam que não esperavam que ele seria capaz de cometer um ato tão cruel. “Ninguém sabia que ele era um monstro”, afirma a madrinha de Raniere, em suas redes sociais.

A melhor amiga de Raniere, Camila Ferreira, cresceu junto com a vítima e apesar de não ter tido a chance de conhecer Wanderson pessoalmente, ela conta que os familiares de Ranielle comentavam que ele tinha um comportamento estranho, porém a vítima nunca demonstrou que havia algo de errado em sua relação com o criminoso. “Nós tínhamos contato direto e ela sempre falava que estava feliz”, conta Camila.

A família de Raniere está revoltada com tamanha crueldade, eles também estariam com receio de que Wanderson os procure para fazer alguma maldade. “Enquanto não pegarem ele, a gente não vai ficar aliviado”, afirma a amiga que completa “o que ele fez não tem nem explicação.”

O triplo homicídio

O caseiro Wanderson Mota Protácio, de 21 anos, assassinou e degolou a facadas a companheira Raniere, de 19 anos, e a enteada Geysa Aranha, de apenas 2 anos e 9 meses. O crime ocorreu na noite deste domingo (28), em Corumbá de Goiás, localizada a cerca de 124 km de distância de Brasília.

Além da própria família, Wanderson também assassinou o fazendeiro vizinho a ele, com um tiro na cabeça, Roberto Clemente de Matos, e tentou assassinar a esposa de Roberto, Cristina Nascimento da Silva.

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Após desferir facadas contra a companheira e contra a enteada, o caseiro Wanderson teria ligado para seu patrão que morava na mesma propriedade, ele teria pedido ajuda ao patrão pois sua esposa estaria passando mal. Wanderson se aproveitou do momento em que o patrão se dirigiu até a sua residência, e foi até a casa do patrão para furtar um revólver com seis munições.

Em posse do revólver municiado, Wanderson se dirigiu até a fazenda vizinha onde teria chamado por Roberto, e com sede pediu um refrigerante. Wanderson deu um gole, e em seguida atirou contra Roberto. Ao se deparar com a cena, a esposa de Roberto tentou correr, mas Wanderson apontou o revólver para ela e disse que a mataria de qualquer forma também. Wanderson arremessou a mulher contra o chão, e tentou estuprá-la, diante da resistência ele atirou no ombro de Cristina, que fingiu-se de morta.

Em seguida, Wanderson furtou as chaves da caminhonete de Roberto com a qual teria fugido do local. O veículo foi encontrado abandonado próximo a uma mata na GO-225, distante apenas alguns quilômetros do local do crime.

As informações são de que o criminoso esteja na região de Abadiânia, ele teria tentado pegar um ônibus na manhã desta segunda-feira (29), às margens da BR 153 quando avistou a polícia e fugiu para a área de mata próxima às residências.

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As buscas por Wanderson contam com mais de 70 policiais civis e militares e a expectativa é de que o secretário de segurança Rodney Miranda,que atuou no caso Lázaro, chegue à região a qualquer momento para acompanhar as buscas.

Perfil frio e violento

De acordo com o delegado da Polícia Civil responsável pelo caso, Tibério Martins Cardoso, Wanderson é um cara bastante frio e violento. Ele já era conhecido na região por arrumar confusão e por já ter sido preso. “É agressivo quando se trata de mulheres e idosos, que geralmente não conseguem se defender”, conta o delegado. Em 2020, quando ainda estava preso, Wanderson teria agredido um companheiro de cela, deixando-o com quatro costelas quebradas.

O criminoso é natural do Maranhão e já tem passagem pela polícia, ele teria tentado matar uma companheira também a facadas, em 2019, e já estava solto desde março deste ano para responder em liberdade. Ele teria vindo para o Goiás após ter arrumado confusão em outros estados, como Maranhão e Minas Gerais. “É um cara do crime mesmo. As vezes faz uso de drogas, mas é conhecido na região por furtar coisas e fazer coisa errada.”, explica o delegado.

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