Em Luziânia, distante 66 quilômetros de Brasília, familiares ainda amargam semanas de espera por notícias de adolescentes desaparecidos. Eric dos Santos, 15 anos, saiu de casa dia 20 de março, num sábado de manhã e nunca mais voltou. O pai, Ailton da Silva Carvalho, 35 anos, chora a falta do filho e reclama do descaso da polícia em achar o jovem. “Quando fui à delegacia registrar ocorrência, os policiais se limitaram a pedir para avisá-los assim que ele retornasse para retirar a queixa”. Exatamente um mês depois do sumiço de Eric, a Polícia Civil de Goiás abriu inquérito para investigar o caso.
Apesar das semelhanças com o desaparecimento dos seis jovens do Parque Estrela Dalva, a polícia trabalha com outra linha de investigação e acredita que Ademar Jesus da Silva, assassino confesso dos garotos, não teve envolvimento no sumiço de Eric. A fundamentação da tese policial é a declaração de uma professora de que Eric tinha a intenção de sair de casa. Ailton não concorda. “Ele saiu de casa com a roupa do corpo, de bermuda camiseta, sandália e um boné”, conta o pai. Eric saiu para a aula de dança na Escola Estadual Maria Luiza, onde cursava a 8ª série e não retornou mais.
“Acho que ele deve estar preso em alguma fazenda, executando trabalho escravo”, imagina. Ailton não quer nem pensar que seu filho possa ter sido mais uma vítima de Ademar, ainda assim acompanhou a varredura feita por familiares na Fazenda Buracão. Mas não encontrou pista do filho. “Já percorremos tudo, procuramos em todos os lugares e nada”, diz.
“A saudade é grande. Não tenho coragem de olhar para cama onde ele dormia. Espero que agora com a imprensa em cima algo seja feito. Ontem (na terça-feira) veio um policial aqui para dizer que entrou no caso. Tomara que o encontrem vivo”, torce o pai.
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