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Brasília

Novo cateter desenvolvido pela UnB reduz riscos em cirurgia no coração

Arquivo Geral

09/07/2009 0h00

Um cateter desenvolvido por um pesquisador da Universidade de Brasília pode tornar mais seguros os procedimentos cirúrgicos feitos para minimizar ou cessar arritmias cardíacas, this a ablação por radiofrequência. O equipamento foi desenvolvido por Rui Alves de Sousa durante mestrado em Engenharia Elétrica. “A intenção é evitar a morte do paciente devido a uma complicação chamada de fístula átrio-esofágica, que pode ocorrer durante esse tipo de procedimento”, diz o pesquisador.


Segundo ele, a fístula ocorre quando, durante a ablação, a temperatura utilizada para destruir a área do coração onde ocorre a arritmia fica alta demais e acaba eliminando mais tecido que o necessário. “Com isso, abre-se uma comunicação entre o átrio esquerdo e o esôfago. Assim, o sangue bombeado no coração acaba indo parar no estômago do paciente”, ressalta Rui Alves. O problema pode levar à morte súbita no pós-operatório.


Para evitar a complicação quase sempre letal, Rui desenvolveu um cateter acessório, para ser utilizado durante o procedimento de ablação por RF. “Enquanto o cateter da ablação é inserido por uma veia da perna do paciente até chegar ao coração, o outro é posicionado no esôfago”, explica o professor Ícaro dos Santos, orientador da dissertação intitulada Cateter esofágico para medição de temperatura durante procedimento de ablação cardíaca por radiofreqüência.


FUNCIONAMENTO – Com o equipamento criado por Rui, ao mesmo tempo em que é realizada a ablação, a temperatura do esôfago vai sendo medida por cinco termistores (termômetros) conectados no cateter. “Com isso, evita-se que a temperatura fique alta demais e cause a fístula”, afirma o docente. O cateter esofágico permanece todo o tempo ligado a um computador, que informa ao cirurgião as variações de temperatura. “Assim, o médico fica sabendo a hora de interromper o procedimento”, complementa Rui.


De acordo com o pesquisador, apesar de a ablação ser um aquecimento controlado, atualmente a temperatura entre as estruturas não pode ser medida. “O cirurgião tem que estimar a temperatura, e se ela ultrapassar 50° C, ocorre a fístula”, observa. Rui relata que, se os termistores do cateter esofágico marcarem 40° C, significa que a temperatura entre as duas estruturas está em 50° C. “Então, o médico sabe que está na hora de parar”.


O cateter desenvolvido por Rui Alves foi baseado nos cateteres esofágicos existentes hoje. A diferença está no número de termistores. “Os atuais, em geral, têm apenas um termistor, cobrindo uma área muito pequena. No que desenvolvemos há cinco termistores, que cobrem toda a área de contato entre o átrio esquerdo e o esôfago”, detalha o engenheiro.


COMERCIALIZAÇÃO – O cateter foi testado apenas em laboratório, mas, segundo o professor Ícaro dos Santos, a intenção é produzi-lo em escala comercial. “Temos a ideia de buscar financiamento junto à Finep e ao CNPq, e a empresas que queiram explorar comercialmente esse dispositivo”, diz. Rui garante que a adição do cateter esofágico de cinco termistores na ablação por radiofrequência não significaria uma elevação significativa no custo do procedimento.


Ablação por radiofrequência


A ablação por RF é o procedimento cirúrgico escolhido para minimizar ou cessar arritmias cardíacas por ser pouco invasivo. Nesses casos, o paciente não precisa expor o coração, como em uma cirurgia. É um procedimento rápido, que dura de 15 a 30 minutos. Nele, o cateter é inserido em uma veia da perna (a femural) e conduzido até o coração. O objetivo é aquecer a região do órgão, com uma freqüência baixa, em torno de 500 kHz, atingindo temperaturas que levem à coagulação e morte do tecido onde ocorre a arritmia.

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