Natasha Dal Molin
Mais de um terço dos parlamentares da Câmara Legislativa começa a semana sob expectativa. É que nove dos 24 deputados distritais podem ter a cassação dos mandatos pedida. Um deles é o vice-presidente da Casa, Cabo Patrício (PT), quarto na linha sucessória do GDF.
Eurides Brito (PMDB), Júnior Brunelli (PSC), Leonardo Prudente (sem partido), Benício Tavares (PMDB), Benedito Domingos (PP), Rôney Nemer (PMDB), Rogério Ulysses (sem partido) e Aylton Gomes (PR) aguardam o parecer do deputado Raimundo Ribeiro (PSDB), corregedor ad hoc da CLDF e relator do processo por quebra de decoro parlamentar.
O tucano tem até sexta-feira para entregar o parecer. No entanto, adiantou ao Jornal de Brasília que deve fazê-lo antes do tempo regimental previsto. Raimundo Ribeiro passou boa parte do dia de ontem elaborando o documento.
Dos nove distritais, a situação de três (Eurides, Prudente e Brunelli) estaria mais complicada, por aparecerem guardando dinheiro em locais no mínimo inusitados, como as meias, ou ainda oferecendo uma oração para o responsável pelo pagamento.
Embora as imagens tenham sido talvez umas das mais marcantes da atual crise, desde a deflagração da Operação Caixa de Pandora, Ribeiro prefere não dar indicações sobre o desfecho do processo. O relator afirmou, no entanto, que entregará um único parecer, no qual analisa as nove representações contra os nove deputados, e que terão, portanto, pedidos diferentes.
Além dos três, Benício Tavares também é alvo do processo de quebra de decoro por constar em um dos vídeos feito pelo ex-secretário de Relações Institucionais do GDF, Durval Barbosa. Mas na imagem não aparece recebendo dinheiro.
O nono da lista de possível cassação da Câmara Legislativa não tem relação com a operação Caixa de Pandora. Trata-se do vice-presidente da Casa, Cabo Patrício (PT), que esteve interinamente como presidente em dezembro, com a renúncia de Leonardo Prudente do cargo. Ele também é alvo de processo de quebra de decoro.
Contra Patrício há dois pedidos protocolados na Corregedoria: um pela autoria de projeto que, em tese, beneficiaria empresa de parentes de Leonardo Prudente; outro, por não ter cumprido a decisão de reintegração de posse, à época da ocupação da Câmara por manifestantes.
Os nove distritais já apresentaram defesa, que é anexada ao processo, assim como, no caso dos que se referem à operação Caixa de Pandora, a cópia do inquérito.
Os parlamentares em situação mais crítica têm evitado a imprensa e pronunciamentos no plenário. A situação de Eurides Brito, Leonardo Prudente e Júnior Brunelli, por causa das imagens, é de longe a pior.
O relatório será votado na Comissão de Ética. Se aprovado, os acusados têm prazo para apresentar a defesa. Em seguida, o processo é votado em plenário, onde para ser aprovado deve ter a aquiescência de pelo menos 13 distritais. Os acusados, porém, também têm a opção de renunciar para evitar a cassação que lhes retiraria os direitos políticos.
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