Pensando em melhorar a qualidade de vida no DF, dosage o Departamento de Parques e Jardins (DPJ) da Novacap, prostate plantou 191.368 espécies de vegetais (arbustos, árvores e palmeiras) em todas as cidades entre novembro do ano passado e abril deste ano. O número total de mudas consta do balanço do último Programa de Arborização, divulgado nesta terça-feira (28) pela Novacap.
Neste total também está incluída a compensação ambiental – quando há retirada de árvores para construção de novas vias, por exemplo. De acordo com o Decreto nº 14.783/93, para cada árvore nativa arrancada é preciso plantar 30 mudas. Para cada árvore exótica, são necessárias 10. Em ambos os casos as espécies plantadas têm de ser, necessariamente, nativas.
Além da compensação ambiental, estão incluídas no total as mudas plantadas diretamente, quando o próprio departamento DPJ atende solicitações da comunidade, e indiretamente, quando o DPJ apenas doa mudas ou faz a orientação técnica do plantio.
Entre 2007 e 2008 foram plantadas 208.158 espécies e entre 2006 e 2007, transição de governos, 68.739 – o plantio é feito sempre entre os meses de novembro e abril, período de chuvas. O total de espécies plantadas nos últimos três anos reflete a preocupação do governo com a área verde do DF, que atualmente chega a 55 milhões de metros quadrados, o equivalente a 5,5 mil campos de futebol.
O número maior de mudas plantadas em 07/08 do que em 08/09, segundo a Novacap, é reflexo de um bom resultado obtido com as plantas. “Isso significa que temos tido um maior aproveitamento das mudas, elas estão ‘vingando’ mais. Isso é para ser celebrado”, explica Daniel Marques, chefe do DPJ.
Plantas Nativas
Outro fator que contribui para o melhor aproveitamento do programa é que o DPJ tem priorizado o plantio de mudas nativas que, apesar de exigirem mais cuidado, oferecem mais garantia de pega e maior durabilidade. As espécies nativas corresponderam a 61% das espécies plantadas entre 2007 e 2008, e a 73,6% entre 2008 e 2009. Entre as mais plantadas estão os ipês roxo, amarelo e branco, ingá mirim e pombeiro.
A preferência pelas nativas, de acordo com o chefe do DPJ, é para trazer de volta para o DF espécies arrancadas na época da construção de Brasília. “O lugar delas é aqui. As árvores nativas se adaptam mais facilmente, não são acometidas por doenças e pragas, como a Monguba. Este espécime exótico foi atacado pelo besouro Euchroma gigantea e nos obrigou a erradicar os exemplares, cuja infestação se apresentou acentuada e por isso ofereciam riscos à população. Foram erradicadas quase duas mil árvores adultas”, explicou Daniel Marques. “Mas tal ação de prevenção nos levou a enfrentar a ira da população que, sem saber o que estava acontecendo, acusava o DPJ de arrancar árvores”, lembrou.
Mudas nativas, porém, também requerem um tratamento diferenciado, mais cuidadoso e elaborado. Marques explica que estas plantas têm um desenvolvimento mais lento e nem todas as sementes vingam. Pequizeiro, cagaita, sucupira e pau-santo são algumas espécies nativas que apresentam mais complexidade no processo de produção.
De acordo com Daniel Marques, como o aproveitamento das áreas de plantio das cidades do DF tem sido satisfatório, o DPJ vem se dedicando mais à arborização dos parques e unidades de conservação, outra mudança percebida no Programa de Arborização de 2008/09. Em 07/08 foram plantadas 51.497 mil mudas em 21 parques do DF e em 08/09, 49.878 mudas em 24 parques. O número total menor de mudas plantadas este ano é pela mesma razão: melhorar o desenvolvimento das plantas.
Algumas unidades, como o Parque Burle Marx, por exemplo, não estava entre os parques beneficiados no último plantio. Já este ano, a unidade recebeu 16.064 mudas. O Taguaparque recebeu, em 07/08, três mil mudas e neste programa foram plantadas cinco mil.
“O governador José Roberto Arruda nos pediu que déssemos uma atenção especial aos parques, pois em todas as RAs há pelo menos um. Isso significa mais qualidade de vida aos moradores das cidades”, explica o presidente da Novacap, Luiz Carlos Pietschmann.
A expectativa dos técnicos do DPJ é que no próximo plantio, que começa em novembro deste ano, as mudas peguem melhor. “Aí vamos poder priorizar as áreas mais carentes do DF”, completa o presidente.
No próximo ano
O Programa de Arborização 2009/2010 começou a ser trabalhado em janeiro deste ano. Sempre no início do ano, uma equipe do DPJ sai a campo para coletar sementes, primeiro passo do programa. Os técnicos passam uma semana no cerrado e voltam com sementes das espécies nativas.
Atualmente o projeto está na fase do levantamento das necessidades de cada cidade. Segundo Raimundo Cordeiro, chefe da Divisão de Implantação de Áreas Verdes (Diave/DPJ), com o mapa da cidade em mãos e as demandas apontadas, é hora de analisar a possibilidade de atender os pedidos.
“Há muitos fatores que interferem. Temos de verificar se o local é bom para determinada espécie, que altura de árvore é ideal para o local, se tem rede elétrica, qual tipo de raiz o solo suporta, entre outros. Esse trabalho de análise é o mais delicado e demorado”, explica Cordeiro.