Pela terceira vez, o Lago Paranoá está sofrendo com manchas de óleo. Pelo menos três pontos de fontes de derramamento desembocaram nas margens do espelho d’água entre o Iate Clube e o Grupamento de Fuzileiros Navais de Brasília. A situação mobilizou instituições ambientais do Distrito Federal, que se articularam para conter o produto oleoso nas águas. A extensão da mancha é de cerca de 100 metros de largura e cinco metros de comprimento.
As galerias ficam na parte norte de Brasília, localizadas a aproximadamente 25 metros de distância de uma outra rede pluvial que despejou, em outubro do ano passado, outra mancha de óleo no lago. Na época, a mancha atingiu 190 metros quadrados de profundidade e, depois de muitas acusações entre poder público e empresa privada, foi constatado que o produto veio de uma caldeira do Hospital Regional da Asa Norte (Hran). O custo para a limpeza do vazamento ficou na casa dos R$ 2,1 milhões.
Investigação
Dessa vez, ainda não se sabe de onde veio a substância. O Corpo de Bombeiros teve conhecimento do derramamento do produto às 11h20 de ontem. Duas horas depois, a mancha já estava contida. Ainda não foi confirmado se o produto, de fato, é óleo derivado de petróleo. Equipes da Caesb e do Instituto Brasília Ambiental (Ibram) colheram o material e encaminharam para laboratórios da Universidade de Brasília (UnB).
O chefe de comunicação do Corpo de Bombeiros, tenente-coronel Fábio Ribeiro, explica que equipes de operação fizeram três sobrevoos para descobrir se havia outros vazamentos. Três barreiras de contenção foram formadas para que a mancha não se alastrasse. “Foram formadas as barreiras de absorção, além da contenção e da manta da Transpetro que atinge mais de 50 centímetros de profundidade”, diz.
Diferença entre os casos
O tenente-coronel do Corpo de Bombeiros, Fábio Ribeiro, destaca que o atual derramamento é diferente do vazamento de óleo de outubro. A textura da substância é uma dessas diferenças. Dessa vez, o produto é mais diluído e aparentemente de menor gravidade.
“Os focos foram contidos e as investigações acontecem para descobrir da onde veio o derramamento do produto. A Transpetro também fez a coleta do óleo e robôs da Caesb vão percorrer as galerias pluviais para descobrir da onde surgiu a substância oleosa”, destaca.
Pouco tempo depois do incidente, a Polícia Ambiental isolou um perímetro da área para que nenhuma embarcação passasse no local e espalhasse a mancha oleosa pelo Lago Paranoá.
Ponto de Vista
O idealizador do Movimento Guardião do Lago Paranoá, Marcelo Bosi, explica que o problema se refere às redes de água pluvial. Isso porque todas as tubulações desembocam no lago e consequentemente as substâncias das vias públicas também acabam sendo derramadas no espelho d’água. “Enquanto não houver cuidado maior para fazer uma filtragem da água ou o controle do que se faz nas ruas do DF, episódios como esse vão continuar acontecendo. Essas ocorrências têm relação com o crescimento desorganizado e sem planejamento”, afirma.
Segundo Bosi, não existe planejamento de escoamento da água no DF. Ele avalia a situação como um prejuízo. “É uma pena e considero uma verdadeira fatalidade, situações como essas que só pioram a qualidade da água. Ocorrências como essas são reincidentes e a gente percebe isso com uma grande frequência”, alerta.
Uma nova mancha de óleo voltou a aparecer no Lago Paranoá na manhã desta sexta-feira (17). Desta vez, próximo ao Iate Clube de Brasília.