Bruna Sensêve
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Ao se aproximar da cratera de quase 50 metros de profundidade e mais de cem metros de diâmetro, no município goiano de Novo Gama, Entorno do DF, o cheiro de uma mistura de escrementos e detritos se contrapõe ao barulho agradável de uma nascente. Se de um lado a vegetação natural preenche o vale entre o extremo leste do bairro Pedregal e o bairro de Céu Azul, em Valparaíso, do outro está o acúmulo absoluto de lixo, restos de construção e comida, animais mortos e duas bocas de lobo por onde são despejados os dejetos das fossas sanitárias utilizadas pelos moradores da região. Ao redor do “buracão”, como é conhecido o local, existem diversas residências. Seus moradores, além de conviver com os perigos conhecidos, sofrem com o medo das enxurradas que descem rua abaixo em dias de chuva forte.
Quem vive na Avenida Aide Siqueira do Espírito Santo, endereço preciso do local, também é culpado pelo problema. Durante mais de uma hora em que a reportagem do Jornal de Brasília permaneceu no local, pelo menos, quatro moradores utilizaram um carrinho de mão para transportar o lixo de suas residências e despejá-lo dentro da cratera.
O salgadeiro Aislan Alves, 30 anos, veio da Paraíba aos 20 e se instalou na região. Nesse tempo, viu o vale se desgastar com o acúmulo de lixo e a erosão causada também pela água das chuvas. “Nesse mesmo local chegavam a passar dois a três carros, atravessando para o outro lado. Hoje, até de bicicleta é perigoso. A prefeitura colocou essas estacas de madeira ao redor do buraco para impedir a passagem e o estacionamento de carros que traziam lixo de lugares ainda mais distantes.”
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