Fábio Magalhães
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Levantamento do Ministério da Justiça aponta que as forças da segurança pública do DF apresentam os melhores índices de todo o País, principalmente nos quesitos salário, viaturas, armas e outros equipamentos. Conforme o estudo, no DF existem menos de 300 habitantes por policial, o que teoricamente aumenta a sensação de segurança. No entanto, na prática, a realidade vivida pela população é de insegurança e medo.
A pesquisa Perfil das Instituições de Segurança Pública retratou as condições das polícias Militar e Civil e Corpo de Bombeiros Militares de todo o País, no ano de 2011. Os quesitos analisados foram estrutura, recursos humanos e materiais, orçamento, ações de prevenção e atividades de capacitação e valorização profissional. Na maior parte dos itens verificados, o DF lidera, com as melhores condições.
Um dos destaques do estudo foi para a folha de pagamento dos policiais do DF. Segundo o levantamento, a Polícia Civil do DF é a que tem o maior piso salarial do Brasil. O menor salário da corporação é de R$ 7.514,33 – valor quase dez vezes maior do que o piso de Santa Catarina – R$ 781,82.
A PMDF, cuja folha de pagamento chegou a R$ 1,9 bilhão em 2011, é a terceira polícia mais bem paga do País. Já o Corpo de Bombeiros gastou R$ 818 milhões com folha de pagamento e ficou atrás apenas do Rio de Janeiro neste quesito.
Quanto custa?
Já o custeio de despesas como aquisição de equipamentos de proteção individual, meios de transporte, comunicação, munição, dentre outros, tiveram um orçamento de R$ 183,8 milhões na PM, para um efetivo de 15,5 mil policiais da ativa. A Polícia Civil, por sua vez, gastou R$ 47 milhões com custeio de despesas desta natureza para equipar seus 5,3 mil servidores. O Corpo de Bombeiros, no entanto, gastou um pouco mais e fechou o ano de 2011 com R$ 110,9 milhões para manter os equipamentos e estrutura de trabalho para seus 5.6 mil militares ativos.
Para população, serviço é falho e ineficiente
Apesar dos investimentos realizados para manter as corporações e adquirir equipamentos modernos, que colocam o DF como uma das unidades da Federação em que o efetivo da segurança pública é o mais bem preparado, a visão da população é de que o serviço é falho e ineficiente.
Moradora da Cidade Estrutural, Maria – nome fictício – , 47 anos, conta que já teve a casa assaltada quatro vezes. Segundo ela, a última vez que foi surpreendia por uma ação criminosa dentro de casa foi em 2011, durante uma viagem.
“Fiquei muito abalada quando soube que tinham levado praticamente tudo da minha casa e deixaram apenas uma mesa, a geladeira e o sofá. Meu filho hoje tem nove anos. Quando ele tiver 14, eu vou embora daqui. Nessa idade é a mais perigosa e, quando se mete com o crime, existem apenas dois destinos: ou é a cadeia ou é o buraco. Isso eu não quero para ele”, desabafa.
Para sobreviver, Maria mantém um pequeno comércio de lanches na porta de casa, mas devido à falta de segurança, ela prefere atender os clientes atrás das grades. “Todas as semanas temos pessoas assassinadas aqui perto de casa e ninguém faz nada. Não tem polícia”, reclama.
Evolução lenta
Para a especialista em segurança pública Eneida Taquary (foto), apesar de a as forças da segurança pública do Distrito Federal serem bem remuneradas, a evolução destas instituições envolvidas é lenta e não acompanha a criminalidade. “A velocidade do crime é incompatível com a da segurança pública. O discurso é rápido e a polícia devagar e isso cria um descompasso que aumenta a violência. A tendência, se continuar assim, é que a criminalidade sempre avance”, analisa Eneida Taquary.
Segundo a especialista, as policias do DF, se comparadas ao Judiciário e ao Ministério Público, estão em defasagem. “As polícias não conseguem dar vazão, nem da forma preventiva nem repressiva. De modo geral, estamos em um quadro anacrônico”, avalia.
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