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Brasília

No Distrito Federal, toda hora é hora de trânsito

Arquivo Geral

15/04/2014 9h46

A combinação de mais carros nas ruas com as deficiências do transporte público  tem culminado em uma novidade incômoda para os habitantes do Distrito Federal: a extensão do horário de pico. O fluxo intenso de carros, que antes durava pouco mais de duas horas  em cada período do dia – das 6h15 às 8h30 e das 17h45 às 19h45 –, agora   dura  três ou até quatro horas. Cansados de enfrentar o trânsito de cada dia, os brasilienses clamam por alternativas. 

Em tempos de greves dos rodoviários ou metroviários, quando ocorrem manifestações ou quando faltam ônibus na Região Metropolitana do DF, o momento delicado  pelo qual o trânsito do DF passa fica ainda mais evidente.

Motivos

Trânsito intenso no Eixo Monumental, Avenida Hélio Prates (Taguatinga) e Setor Policial Sul é considerado um evento dentro da normalidade pelo   Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF). Segundo o órgão, em todas essas vias os engarrafamentos se devem, principalmente, às inúmeras retenções semafóricas e a pontos de afunilamento da pista. 

Quem tenta acessar a W3 Sul, no sentido Plano Piloto, também sente os efeitos do trânsito intenso. O mesmo ocorre com motoristas que se dirigem ao Setor Policial Sul. Neste, a junção das obras de mobilidade com a  faixa exclusiva para ônibus faz com que toda a via que margeia o Cemitério Campo da Esperança fique engarrafada.

Estradas parque

Nas rodovias que ligam as regiões administrativas e as cidades goianas da Região Metropolitana  a Brasília, a situação é ainda pior. De acordo com o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF) “o grande volume diário de veículos que transitam no Distrito Federal faz com que praticamente todas as rodovias que ligam as cidades ao centro de Brasília fiquem com trânsito intenso”. 

Entre elas destacam-se: Estrada Parque Taguatinga Guará (EPTG); Estrada Parque Núcleo Bandeirante (EPNB); Estrada Parque Indústria e Abastecimento (Epia); Estrada Parque Juscelino Kubitschek (EPJK); Estrutural; DF-001; DF-047 e DF-025.

Desabafo

Em tempos de greve dos metroviários, motoristas e passageiros indignados desabafam nas redes sociais. “Trânsito a essa hora (22h43) é sacanagem!”, reclamou uma condutora que seguia pela Estrada Parque Taguatinga   (EPTG), no sentido Taguatinga. “Estou há uma hora tentando ir do Núcleo Bandeirante para Taguatinga pela Estrada Parque Núcleo Bandeirante (EPNB)”, desabafou outro.

Muita dor de cabeça diária

Alexandre Augusto Vasconcelos, de 37 anos, comenta a luta diária para ir de sua casa, em Taguatinga Norte, para sua empresa, em Águas Claras. Nos horários de pico ele leva até uma hora e meia para fazer um trajeto que pode ser feito em 13 minutos com o trânsito desimpedido.  

“Só para sair de Taguatinga, pelas avenidas Elmo Serejo ou Hélio Prates, levo cerca de 25 minutos. Não tem para onde correr, há trânsito por todos lados. Depois que entro na EPTG, mais trânsito. Ainda bem que sou empresário e tenho um horário de trabalho flexível. Se tivesse que entrar às 8h, como a maioria das pessoas, dificilmente conseguiria chegar”, comenta. 

O consultor comercial Edson Pereira de Santana, de 52 anos, concorda. “Moro no Guará e já cheguei a ficar duas horas no trânsito da EPNB. E está piorando. Trabalho na área comercial, passo o dia inteiro visitando clientes e posso garantir: sempre tem trânsito nessa cidade”, reclama.

Obras

Para tentar contornar o problema, nos últimos anos, muitas das principais vias do DF receberam investimentos. A Linha Verde – prolongamento da EPTG -, por exemplo, custou R$ 306 milhões e ainda apresenta congestionamentos. Na EPNB, mesmo com o viaduto João Goulart, que custou R$ 22,8 milhões, nas proximidades do Núcleo Bandeirante o trânsito continua caótico, e na Epia o  alargamento das pistas nos dois sentidos também não solucionou o problema. 

A medida mais recente foi a controversa implementação das faixas exclusivas para ônibus. O DF conta com 54,9 km de pistas com essa prioridade. Em 2011, a EPNB foi a primeira via a receber a novidade, seguida da EPTG, W3 Norte e W3 Sul, em 2012. O Setor Policial foi o último a contar com a faixa, em junho do ano passado. De acordo com o DFTrans, os ganhos de tempo com as faixas variam entre 15 e 30 minutos. 

Segundo o órgão, as vias são atendidas por 272 linhas de ônibus. Mas, mesmo assim, não houve efetividade na EPTG, por onde trafegam cerca de 150 mil veículos por dia. A maioria dos motoristas acredita que “até que os novos ônibus, com portas do lado esquerdo, comecem a rodar, as faixas de ônibus mais atrapalham do que ajudam”. 

Alexandre Augusto confirma que elas estão sempre vazias. “Todo mundo enfrentando o engarrafamento e a faixa exclusiva vazia, sem nenhuma utilidade”, lamenta.

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