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Brasília

No Dia dos Namorados, casais do DF mostram que não há barreiras para o amor verdadeiro

Arquivo Geral

12/06/2017 7h19

Unidos por um aplicativo de paquera, Sabrina e Augusto convivem mais virtualmente do que presencialmente, mas trabalham para ficar juntos em breve. Foto: Myke Sena/Jornal de Brasília

Jéssica Antunes e Manuela Rolim
redacao@jornaldebrasilia.com.br

Para o amor não existem fronteiras. Ele tem o poder de mover as montanhas, leva às estrelas, não tem hora de chegar e não vai embora. Não faltam histórias de quem ultrapassa todas as barreiras para garantir seu bem querer, seu encanto, e permanecer no infinito dos dois. Às vezes, para o casal ter alegria, conto de fadas, fantasia e prometer até a lua, tem que enfrentar obstáculos. Na data mais romântica do ano, o Jornal de Brasília mostra histórias em que o amor alcança tudo, apesar de tudo e por causa de tudo.

Histórias como a de Sabrina Paiva e Augusto Chaves, de 35 e 34 anos, que têm a maior parte do relacionamento pela tela do celular. Eles se conheceram em um aplicativo de relacionamentos, tiveram menos de 20 dias juntos e ela viajou, por um ano, para o outro lado do continente. O namoro, intenso e meteórico, foi criticado, estranhado e, enfim, coroado pelo casal e pela família – e agora tem tudo para ganhar um novo capítulo, mais próximo e completo. A partir de quinta, eles poderão se encontrar e celebrar o segundo Dia dos Namorados – pela primeira vez, juntos.

Deu match

Saiba mais

  • A comemoração do Dia dos Namorados parece ter surgido na época do Império Romano, quando um bispo da Igreja Católica, São Valentim, foi proibido de realizar casamentos e passou a celebrar de forma secreta, o que o levou à morte. Enquanto estava preso, recebeu vários bilhetes e cartões, de jovens apaixonados, valorizando o amor, a paixão e o casamento.
  • No Brasil, a data está relacionada a Santo Antônio. Nas suas pregações, ele destacava a importância do amor e do casamento. Depois de ser canonizado, ganhou a fama de “santo casamenteiro”. A data, 12 de junho, é véspera do dia do santo.

Era setembro de 2015. Ela, doutoranda, viajava constantemente e morava na Asa Norte. Ele, morador da Asa Sul, recém-saído de um relacionamento, não queria namorar tão cedo. Estavam passeando pelo aplicativo quando se cruzaram – a ferramenta só habilita com certa proximidade –, se gostaram, começaram a conversar e, em pouco tempo, trocaram telefone.

“Eu já estava com viagem marcada para uns 20 dias a partir dali. Passaria um ano nos Estados Unidos. Pensei que, se acontecesse algo, seria só ‘pegação’. Ele não ficaria comigo quando soubesse que sairia do País, mas nunca mais paramos de conversar”, lembra Sabrina. Mas Augusto não agiu como ela pensava. No primeiro encontro, roubou-lhe um beijo.
Mesmo propósito

“Na primeira vez que a vi, sabia que era a mulher da minha vida. O encontro só confirmou”, conta. Do outro lado, ela não tinha tanta certeza: “Eu não acreditava e muita gente me desencorajava, mas embarquei. Não sabia o que me aguardava, mas gostei dele de cara, no primeiro telefonema”. Antes de viajar, trocaram alianças de compromisso. As mensagens e as videochamadas eram intensas. No início, foi complicado pela confiança ainda não estabelecida.

Augusto foi a encontro dela por três vezes: no Natal; na semana santa, quando o filho e a namorada se encontraram pela primeira vez; e no meio do ano passado, quando a pediu em casamento. Em outubro do ano passado ela voltou ao Brasil, mas a distância ainda é realidade. Hoje, Sabrina trabalha como professora no Instituto Federal de Tocantins, a mais de mil quilômetros de distância de Brasília. Por aqui, o noivo corre para concluir o curso de Direito e se mudar para que eles, enfim, fiquem juntos.

“Namoro a distância, quando já há um tempo de convivência, é mais fácil do que começar namorando a distância. As coisas foram se fortalecendo com o tempo. Hoje, a distância é mais tranquila. Estamos em uma fase da vida em que queremos a mesma coisa. Acho que isso foi a maior motivação. Quando é a pessoa, vale a pena”, acredita Sabrina.

No ano passado, Augusto enviou a ela um buquê de flores. Desta vez, o abraço será apertado para celebrar o amor construído, fortalecido e mantido através da distância.

“Quando duas pessoas estão no mesmo propósito, dá certo. Temos o mesmo objetivo, de construir uma família e crescer junto”, afirma ele, que manda um recado surpresa, apesar da timidez: “Eu te amo. Não vejo a hora de concluir o meu curso e estar ao seu lado”.

União estável sela planos de uma vida inteira para compartilhar

 “Nosso amor não é racional. Quando olhei para o Lincoln, já sabia que ele era o homem da minha vida", afirma Cláudio, ao lado do companheiro. Foto: Ariadne Marçal/Jornal de Brasília

“Nosso amor não é racional. Quando olhei para o Lincoln, já sabia que ele era o homem da minha vida”, afirma Cláudio, ao lado do companheiro. Foto: Ariadne Marçal/Jornal de Brasília

No primeiro Dia dos Namorados juntos, Cláudio Torres, 51, professor, e Lincoln Freitas, 42, jornalista, têm motivos de sobra para comemorar. Apesar dos poucos meses de relacionamento, os dois colecionam demonstrações de amor. No dia 4 de janeiro deste ano, o casal se conheceu depois de combinar um encontro por um aplicativo. No mesmo dia, Cláudio esqueceu o celular no carro do companheiro. Desde então, não se separaram mais. Questionado se foi proposital, o professor se entrega rindo da pergunta. “Até hoje eu não sei”, responde.

A atitude parece que deu certo. Lincoln mandou mensagem assim que reparou o celular e os dois marcaram um segundo encontro no dia seguinte. “Não tinha como ser diferente. Não foi só química ou atração. O que sentimos de imediato foi algo inesperado, indescritível, complexo”, relata o jornalista. Eles passaram um mês juntos até Cláudio viajar para Israel. “Fiquei uns 20 dias lá, mas nos falávamos com frequência”, completa.

Ao voltar para o Brasil, porém, ele teve uma surpresa. Lincoln optou por manter apenas a amizade com o companheiro. “Desde o início, o Cláudio já queria namorar, dizia que me amava e sempre foi muito decidido. Eu também queria algo sério, mas estranhei a entrega dele. Ainda assim, às vezes, ficávamos juntos”, explica o jornalista.

Antes de viajar pela segunda vez para Israel, o professor foi surpreendido de novo, desta vez, com a maior declaração de amor que Lincoln poderia fazer. Cláudio já tinha comprado as alianças do casal, mas o jornalista chegou a pedir para ele trocar em um relógio. “Ele sabia que eu não tinha devolvido as alianças, mas não queria nem vê- las”, ressalta o professor.

Enfim, oficial

Depois do lançamento de um livro, no Instituto de Psicologia, em que Cláudio participou, o jornalista, então, oficializou o relacionamento. “Saímos para jantar e eu pedi para uma amiga dele pegar os anéis em casa. Quando o chamei para fumar, tirei as alianças do bolso e fiz o pedido de namoro”, lembra Lincoln, emocionado.

“No começo, eu estava assustado. A gente é muito maltratado pela vida. Não acreditava mais no amor. Especialmente no meio gay, a preocupação com a estética é exagerada e eu buscava alguém com caráter, um companheiro. Hoje, sou feliz demais porque tenho o Cláudio em minha vida, ele me complementa”, se declara o jornalista. De Jundiaí (SP), ele conta que a família vai conhecer o companheiro no próximo dia 15. Ambos assinaram a união estável no dia 19 de maio.

“Hoje, eu e a mãe do Lincoln nos falamos bastante. Essa aproximação começou por causa de uma receita de família. Decidimos fazer um jantar em casa e peguei a receita do bacalhau dela”, comemora o professor, que passou quatro dias internado no hospital. “Ele ficou ao meu lado o tempo todo, largou tudo para cuidar de mim. Nosso amor não é racional. Quando olhei para o Lincoln, já sabia que ele era o homem da minha vida”, afirma Cláudio. A relação dos dois, porem, não foi bem vista por parte da família do professor.

Ainda assim, eles seguem mais unidos do que nunca. “Já temos uma família consolidada. Futuramente, queremos ter dois filhos. Domingo (ontem), vamos fazer um jantar para comemorar a data. Seremos eternos namorados”, finaliza Cláudio.

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