Santo Antônio, o casamenteiro, sofre muito no dia dedicado a ele. Sua imagem é colocada de cabeça para baixo, afogada em um copo cheio d’água, e, algumas vezes, o santo tem o menino Jesus retirado de seus braços para ser escondido até que seja dada aquela “forcinha” para o tão sonhado casamento. Valem todas as simpatias possíveis para garantir um pretendente. Mas se engana quem pensa que as preces e promessas sejam exclusivamente sobre o tema – ele também é protetor dos pobres e oprimidos, padroeiro dos objetos perdidos e acalentador das mulheres grávidas. Ontem, a Paróquia e Santuário Santo Antônio, localizada na 911 Sul, recebeu mais de 1,2 mil devotos apenas pela manhã.
Marli Nogueira, 71 anos, crê fielmente no poder do santo. Ela conta que, ao completar 15 anos, ganhou uma imagem de Santo Antônio e, desde então, passou a pedir por um bom casamento. “’Me dá um bom marido, me dá um bom marido’, eu rezava. E ganhei o melhor marido do mundo”, lembra. Foram 33 anos de casada.
Sem castigo
Quem espera conseguir algo parecido é Marina Bezerra, de 28 anos. “Peço porque acredito. Minha família, meus amigos e até minha mãe já me deram imagens do santo. Uma amiga colocou Santo Antônio de cabeça para baixo e, quando arrumou um namorado, saiu distribuindo para as amigas solteiras”, disse. Marina, porém, afasta a possibilidade de “castigar” o santo. “Eu falo que não vou apelar pra ele. Sou uma devota boazinha, mas ele não está colaborando. Na hora que ele me irritar, vai ficar de castigo”, brincou.
Teve até quem foi escondida e sequer quis se identificar, como uma advogada de 24 anos que recorre ao santo para encontrar um namorado que, quem sabe, vire um marido. “Uma amiga tinha uma imagem de Santo Antônio, escondeu o menino e disse que só devolveria quando conseguisse um namorado. Uma semana depois, estava com alguém e namora há quase três anos”, contou.
Pão representa a fartura e a solidariedade
Todos os fiéis que estiveram ontem na Paróquia de Santo Antônio tiveram oportunidade de levar um pedaço de pão. A distribuição do alimento é tradição e simboliza fartura. Às 10h, mais de 20 mil pães haviam sido doados. De acordo com o frei Antônio Arruda, o pão, além de fartura, simboliza solidariedade.
Durante todo o dia, várias eram as manifestação de apreço ao santo. “Ele foi abraçado com vários milagres, mas as pessoas atribuem a ele apenas a questão do casamento. Mas não. Em vida mesmo ele pode receber de Deus outros milagres. É por isso que venho aqui, ele é um sinal de Deus para nós”, explicou a professora Naiara Pereira, de 33 anos.
Ela esteve na paróquia como parte de uma novena de orações por uma amiga que está desempregada. “É claro que a gente pede por um bom casamento, mas não é só isso”, assumiu. A psicóloga e devota Regina Caldas, 42 anos, foi com Naiara e também enalteceu outras características do santo.
“Quem lê a história de vida dele sabe quantos milagres Deus permitiu por meio dele. Diante de todos os milagres que foi possível por ele, o casamento é uma coisa muito simples, muito pequena. Se for vontade de Deus, ele vai interceder por isso também”, acredita.