
No Dia das Mães, não teve crise ou alta de preços na refeição fora de casa que deixasse os consumidores inibidos. Os restaurantes apresentaram filas e grandes listas de espera ontem e praças de alimentação de alguns shoppings ficaram apinhadas de gente. Os sindicatos do setor não tinham números parciais, mas gerentes de estabelecimentos revelaram movimentação até 10% maior em relação ao mesmo período de 2015.
No restaurante do grupo Rubaiyat, no Setor de Clubes Sul, o gerente de conceito da marca, Geff Ruas, constatou quase 200 pessoas a mais em comparação com o último Dia das Mães. “Muitas são senhoras e os filhos querem tê-las por perto, aproveitar a data ao máximo. Então a comemoração ainda tem muito significado”, especula o profissional sobre o aumento no fluxo de clientes.
Lotação máxima
Segundo Ruas, a casa, que tem capacidade para cerca de 300 pessoas, foi preenchida três vezes no almoço deste domingo. Isso gerou esperas de quase duas horas e exigiu jogo de cintura dos funcionários. Para a psicóloga Débora Barros, de 56 anos, compartilhar o momento com a mãe Eleida Victória, 83, e o filho, Dimitrius Cardoso, 18, compensou o contratempo.
“É importante contar com a família para essas celebrações. Nem nos importamos em ficar esperando. Ficamos batendo papo”, descontraiu. Sua mãe também garantiu que o tempo até entrar no restaurante foi o de menos. “A melhor coisa é estar com a família. O pessoal aqui também foi nota 10 comigo”, elogiou.
Desde cedo
No restaurante Coco Bambu, também no Setor de Clubes Sul, funcionários relataram filas a partir das 9h. Mais de três mil pessoas comeram e beberam no local, conforme um dos sócios do estabelecimento, Beto Pinheiros.
“Já esperávamos essa demanda. Até tínhamos preparado um atendimento que geralmente é usado nessas datas”, explicou o empresário, que cuidou pessoalmente da recepção dos clientes.
Conforme Pinheiros, a movimentação foi 10% maior do que no último Dia das Mães. Por conta disso, filas de gente e de carros dificultaram a vida de quem deixou para decidir o destino de última hora. Para alguns, “última hora” quis dizer “depois das 11h”.
Inconveniente e fome superados
“Se eu soubesse que ficaria quase duas horas esperando, não teria vindo”, desabafou a bióloga Débora Pires, de 40 anos. Ela levou a mãe Mariane Pires, promotora de Justiça de 70 anos, além do marido, filho, irmão, sobrinho e uma amiga, para celebrar o dia, e, apesar do inconveniente e da fome, disse ser importante lembrar da data. “A vida é muito curta, então tem que comemorar essas coisas, sim. Mas, da próxima vez, os restaurantes não vão me pegar não: vamos fazer algo em casa”, brincou.
A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no DF (Abrasel-DF) informou que a data costuma ser proveitosa para os empresários do meio – a segunda melhor do ano, atrás apenas do Dia dos Namorados. Apesar do bom momento, a previsão é de pelo menos 20% dos estabelecimentos fechando as portas nos próximos seis meses.
“A coisa não está fácil. Evidentemente que foi um fim de semana excepcional e as casas com perfil familiar venderam bem”, resume o presidente da entidade, Rodrigo Freire. Para ele, no entanto, a euforia do domingo não é o suficiente para encobrir a gravidade da situação. “Uma coisa é manter o faturamento, e a outra é ter lucro. Esse lucro foi embora para muita gente. O resultado final caiu demais para os restaurantes”, complementa.
Segundo Freire, se os estabelecimentos tivessem acompanhado a inflação dos últimos cinco anos, os preços das refeições estariam 50% mais caros. “São muitos custos, vários tributos, tarifas de transporte etc. Os restaurantes não podem repassar isso ao consumidor. Tem muita gente quebrando”, conclui.
Saiba mais
O comércio espera um desempenho mais modesto de Dia das Mães. Conforme o JBr. mostrou na última sexta-feira, o crescimento de vendas deve ficar entre 1% e 5,4% este ano.
Se para os restaurantes a melhor data é o Dia dos Namorados, para o comércio é o Natal. Para ambos os setores, coincidentemente, o Dia das Mães vem em seguida.