Leandro Cipriano
leandro.cipriano@jornaldebrasilia.com.br
Nos últimos anos a obesidade tornou-se um problema crescente no País, afetando pessoas de todas as idades. No Distrito Federal, a situação é alarmante porque, em comparação com outros estados da Federação, ocupa o primeiro lugar no ranking de sobrepeso e obesidade infantil, igualado ao Rio Grande do Sul. Esses dados, do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional do Ministério da Saúde, referem-se a um público restrito, atendido nas unidades de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo os dados da Secretaria de Saúde do DF, atualmente, uma em cada três crianças entre cinco e dez anos está acima do peso. Entre os pesquisados, o índice total ficou em 33,8%, superior à média nacional, de 25,6%, que corresponde a uma em cada quatro crianças acima do peso.
Além disso, 17,4% dos meninos e meninas nessa faixa etária apresentaram sobrepeso e 16,4% foram considerados obesos. Em 2010, as crianças nessa situação representavam 27,1% dos entrevistados pelo levantamento – um crescimento de 6,7 pontos percentuais até 2011.
Professora do Departamento de Nutrição da Universidade de Brasília (UnB), Regina de Carvalho especialista em nutrição social, explica que o sedentarismo e a falta de uma alimentação saudável são os principais motivos para o aumento da obesidade infantil no DF.
“Brasília é uma cidade mais sedentária que São Paulo. Há poucas atividades de lazer, o que deixa as crianças confinadas e ociosas em casa, sem fazer exercícios físicos”, explica. “Além disso, a família tem hábito alimentar errado e há muitos produtos industrializados na alimentação dos filhos”, aponta.
Para Fernanda Damas de Matos, mestra em nutrição e professora da Universidade Católica (UCB), a renda elevada contribui para o acesso das crianças a produtos industrializados e de baixo valor nutricional. “Não há estudos exatos que mostrem o porquê do DF estar em primeiro lugar, mas acredito que a renda maior seja um dos fatores que, somados a má alimentação e baixa atividade física, levaram a esse quadro”, opinou a professora.
Problema de saúde
Desde os anos 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a obesidade como problema de saúde pública. Especialistas apontam que o sobrepeso e a obesidade infantil podem ser a porta de entrada para o desenvolvimento de diversas doenças crônicas ao longo da vida adulta. Diabetes, hipertensão, pressão alta, problemas relacionadas ao coração e, em casos mais graves, câncer.
Leia mais na edição impressa desta sexta-feira (17) do Jornal de Brasília.