Jéssica Antunes
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O perfil do brasiliense mudou e impactou o mercado das academias de ginástica em Brasília, que até há pouco foi considerada a capital fitness. Em vez de pagar por todas as modalidades disponíveis em um estabelecimento, os atletas amadores preferem arcar com atividades específicas, aproveitar espaços ao ar livre e até utilizar a estrutura do próprio condomínio sem taxa adicional. Isso fez com que o setor apresentasse queda de 10,27% em um ano – entre de dezembro de 2014 e o fim de 2015.
Academias vazias, parques cheios. O cenário de corredores amadores e de grupos pequenos se exercitando juntos é cada vez mais comum. Para a presidente do Sindicato das Academias (Sindac-DF), Thais Yeleni, isso é reflexo de uma segmentação do setor. “Em cinco anos, o modelo de academia tradicional vai morrer, pois elas vão se segmentar. Isso é uma tendencia porque cada vez mais o consumidor quer pagar apenas pelo que consome”, prevê.
Foco na qualidade de vida
O servidor público Rafael de Oliveira, 34 anos, trocou a mensalidade de R$ 250 de uma academia nas proximidades de casa pela estrutura do próprio condomínio, às margens da Estrada Parque Indústria e Abastecimento (Epia) Sul. Ali, além da academia completamente equipada com educadores físicos, há aulas para adultos e crianças de modalidades como tênis, natação, futebol, pilates e zumba.
Rafael não paga nada além da taxa de condomínio, de R$ 1,4 mil. Não há uma mensalidade específica para que participe das atividades. Para ele, o principal diferencial é a praticidade. “Hoje, com a vida corrida, o tempo é um inimigo. Em menos de cinco minutos, estou em casa. É possível encaixar a atividade física em qualquer tempo disponível”, considera. Assim, ele evita trânsito, estacionamento e filas.
Educador físico, Jorge Couto, 26 anos, é um dos professores terceirizados que trabalham no local. “É diferente de academias grandes tradicionais. Para lá, não vai apenas quem quer buscar por qualidade de vida e saúde. Vai quem quer ficar conversando, se mostrando. No condomínio, só se exercita quem busca desenvolvimento”, considera.
A moda agora é se exercitar ao ar livre
Há mais de 20 anos no setor, o educador físico Evaldo Luiz, 45, percebeu a mudança de perfil dos alunos. A maioria cobrou e prefere treinamentos fora da academia. “A preferência é por treinamentos funcionais ao ar livre”, explica. Com ele, a atividade acontece aos domingos no Estacionamento 10 do Parque da Cidade sem taxas: são recolhidas doações para entidades carentes.
“É diferente”, classifica a advogada Ana Paula Tarter, 24 anos. Ela diz que no domingo não está mais na mecânica de puxar ferro e a possibilidade de interagir com as pessoas é um diferencial. “É uma energia melhor. Durante a semana é musculação. No domingo, faço funcional e, realmente, é minha parte preferida”, afirma.
Neste ano, o cenário do segmento também é de redução. Levantamento Federação do Comércio (Fecomércio-DF) referente a março indicou uma regressão de 0,86%. “Não é uma atividade essencial porque é possível substituir a mensalidade do estabelecimento por atividades ao ar livre e gratuitas. Então, as pessoas podem cortar diante da crise”, opinou o presidente da entidade, Adelmir Santana.
Thais Yeleni, titular do Sindac- DF, esclarece que as grandes redes de academias cresceram, enquanto as menores morreram. “Aquelas mais estruturadas, com um posicionamento muito claro em relação às atividades que oferecem e o que o público pode escolher fazer, tiveram bons resultados”, disse.
Saiba mais
Há dois anos, o DF tinha o maior número de academias por habitante no País. Um estudo elaborado pelo Sebrae-DF mostrava que, no intervalo de sete anos, o crescimento do número de academias de ginástica na capital foi de 238%, enquanto, no Brasil, o incremento ficou em 188%.
Não há nenhuma pesquisa mais recente da entidade, mas, segundo o Conselho Regional de Educação Física, há 1.124 estabelecimentos comerciais registrados no DF – a maioria é de estúdios.