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Brasília

No DF, mais vidas perdidas no trânsito

Arquivo Geral

21/02/2015 7h00

Na madrugada do dia 18 de janeiro do ano passado, o servidor público de 40 anos Fernando da Conceição foi acordado por uma ligação do pai. Recebeu a notícia de que o irmão, Alessandro, de 36 anos, havia perdido a vida após um acidente de trânsito. Ele não foi o único. Em 2014, mais mortes e acidentes foram registrados nas vias e rodovias do Distrito Federal se comparados ao ano anterior. 

Dados do Departamento de Trânsito (Detran) revelam que o número de pessoas mortas aumentou 6,25% em 2014, enquanto o índice de acidentes cresceu 2,7%. A maioria ocorreu aos  domingos (17,5%), entre 18h e 23h53 (38%) e nas rodovias distritais (45%), como no caso de Alessandro.

Houve 372 acidentes no ano passado, apenas dez a mais que em 2013. Ainda assim, 408 pessoas perderam a vida, o que representa  60 casos a mais, com média  de um acidente com morte e 34 óbitos mensais apenas em 2014. Homens, pedestres e jovens foram as maiores vítimas. 

Fatores

Para Jayme Amorim, diretor-geral do Detran, o alto índice de mortes no trânsito se deve a diversos fatores. “Um deles, talvez, ainda seja a questão da inconstância do cidadão em respeitar a legislação, o excesso de velocidade, que é agravante. Copa do Mundo, eleições… Tudo isso pode ter interferido no número de mortes”, analisa.

Para o especialista em trânsito Carlos Penna, o  aumento  de acidentes fatais  no trânsito está relacionado  à quantidade de veículos em circulação. De 2013 para 2014, houve aumento de 4,7% na frota do DF, passando de 1,4  milhão para 1,5  milhão, segundo dados do Detran. 

“A frota não para de crescer. Não cabe mais essa quantidade de automóvel nas ruas, já deveríamos ter partido para o transporte de massa, para os trens, metrô. É natural que o número de acidentes aumente na proporção aproximada do crescimento de veículos. Não tem pra onde correr”, afirma o especialista. 

Ele avalia que as estradas continuam as mesmas, mas, com maior fluxo, não há mais área para circulação. “O espaço entre os carros diminui, as pessoas dirigem mais estressadas”, considera. Da mesma forma, “quando tem mais pessoas dentro de carro, o numero de vítimas pode aumentar”. 

Colisões e atropelamentos

Conforme o levantamento do Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF), obtido pelo Jornal de Brasília,  entre os acidentes fatais registrados em 2014, a natureza mais frequente foi a colisão, com 36% do total de registros. Em segundo lugar está o atropelamento de pedestres que, mesmo com redução de 4% em relação ao ano anterior, foi responsável por 31% dos óbitos. Ao todo, 123 pedestres perderam a vida no trânsito ao logo do ano passado. 

No entanto, o tipo de acidente que mais aumentou em 2014 foi aquele que envolve choque com objeto fixo. A exemplo dos dois motociclistas que morreram durante o Carnaval deste ano, após atingirem postes no DF, o número de óbitos cresceu 60%. Foram 64 registros deste tipo em 2014, contra 40 no ano anterior. 

“A partir do momento que você excede o limite de velocidade e dirige sem  a devida atenção, a probabilidade de colidir com um objeto fixo vai aumentar”, entende o diretor-geral do Detran,  Jayme Amorim. 

Veículos

Ao todo, 548 veículos se envolveram em acidentes com morte no ano passado. O número de motocicletas cresceu 6,1%: em 2014 foram 121, enquanto 2013 registrou 114. Destes, 97 condutores foram vítimas, um a mais que em 2013. O maior aumento, contudo, ainda fica por conta dos automóveis, com 17,3%: 291 estiveram nos locais de óbito, 43 a mais. 

Jovens

Entre o perfil dos acidentes, o destaque é o envolvimento de jovens, já que 115 pessoas entre 20 anos e 29 anos morreram; e as mortes de homens, que foram 29% mais frequentes que a de mulheres. Enquanto 315 deles foram a óbito, o número delas chegou a 93.

Evitáveis

Para o especialista em trânsito Carlos Penna, “de 80% a 90% dos casos de acidentes fatais são por excesso de velocidade e ultrapassagem indevida. O pessoal abusa, corre, arrisca, não respeita as regras”, diz. 

O estudioso destaca ainda  que a maior parte dos acidentes é considerada previsível e que poderia ter sido evitada.

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