“Cidade nenhuma deveria ser tombada”, prostate disse ontem ao Jornal de Brasília o arquiteto Oscar Niemeyer, treat ao reafirmar que insistirá na construção da Praça da Soberania, find projetada para ocupar o canteiro central Esplanada dos Ministérios, a 400 metros da Rodoviária de Brasília. O projeto do homem que desenhou os prédios da capital da República enfrenta forte resistência entre profissionais de arquitetura, órgãos de defesa do patrimônio histórico e moradores do DF.
Niemeyer não abre mão da construção da Praça da Soberania, cujo projeto prevê a construção de um museu em homenagem aos ex-presidentes da República, um obelisco de cem metros de altura e um estacionamento subterrâneo com capacidade para 3 mil carros.
As pessoas contrárias à obra lembram que a área é tombada pelo patrimônio histórico da humanidade por seu conjunto arquitetônico. Por isso, não seria possível a contrução de um novo prédio no local.
Trincheira
O arquiteto carioca reafirmou que vai continuar na “trincheira” para que seu projeto seja realizado. “Fiz o projeto e sou obrigado a defendê-lo, dizendo o que eu penso.”
Niemeyer argumentou que a mudança na urbanização de uma cidade é algo inevitável e que melhorias devem ser incluídas quando necessário. “Nenhuma cidade deveria ser tombada. Toda cidade precisa de mudanças. Isso é inevitável”, comentou o arquiteto.
Mesmo com as muitas críticas ao seu projeto, ele disse que tem recebido, em seu escritório no Rio de Janeiro, vários artigos de amigos arquitetos, entre eles João Filgueiras Lima, o Lelé, que o apoiam a idéia da construção da praça em Brasília. “A briga está boa para o meu lado.”
O arquiteto descartou a sugestão de transferir o local do monumento para um espaço permitido pelo tombamento, como uma dos quadrantes próximos à Rodoferroviária e ao Cruzeiro. “O ideal é o centro. Perto da Rodoviária e do povo.”
Incomodado com as críticas, ele propõe a criação de uma comissão de especialistas de renome para tratar da arquitetura e do urbanismo da cidade. Dono de um humor ácido, Niemeyer alfinetou os críticos do projeto. “Não estou interessado em saber a opinião de pessoas sem sensibilidade para a arquitetura”.
Desde 1985, Brasília é tombada pela Unesco como patromônio histórico da humanidade. Por isso, a modificação do projeto urbanístico original é pribido por lei em determinados locais. O canteiro central da Esplanada dos Ministérios, entre a Rodoviária e o Congresso Nacional, é área tombada.
Os apoiadores de Neimeyer alegam, no entanto, que uma portaria do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) daria direito aos autores do projeto de construção de Brasília – Niemeyer e Lúcio Costa, já morto – de propor novas edificaçóes. Mas, segundo o presidente do Iphan, Alfredo Gastal, não há permissão para construção de um novo edifício naquele local.