À espera de leito em uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) para o filho, o porteiro Osmar Ribeiro Cardoso não perdeu as esperanças. Mesmo depois de sete dias de uma decisão judicial favorável à internação, o pequeno Davi Luís não pôde ser transferido por falta de vagas, e chegou a perder um leito porque não havia UTI móvel para o transporte, segundo o relato da família. O drama de Davi não é um fato isolado, como mostrou o Jornal de Brasília na edição de sábado.
Na semana passada, o JBr relatou também a realidade de outras famílias que, assim como a de Davi, precisam recorrer à Justiça para conseguir vaga de UTI. Segundo o relatório de atividades da própria Secretaria de Saúde, 169 pessoas morreram à espera de leitos.
Com apenas 1,8 kg e vários problemas de saúde, o sexto filho de Osmar está internado no Hospital do Paranoá. O bebê nasceu em 27 de maio, com problemas cardíacos, hérnia no umbigo e contraiu pneumonia e infecção urinária. A família procurou a Defensoria Pública no dia 29 e conseguiu no mesmo dia um mandado pela internação de Davi em uma UTI.
Apesar de ter ouvido dos médicos que o filho tem 99% de chances de não escapar, o porteiro continua acreditando na recuperação. “Tenho esperança, como pai, e por ter muita fé em Deus. Eu ainda acredito que não está tudo acabado, mesmo ouvindo todo dia que meu filho teve algum tipo de piora”, disse.
Segundo Osmar , a esposa, Marta Lanuzia, ainda não teve alta depois da cesárea e está bastante preocupada com a situação. “Ela tem dores de cabeça constantes de preocupação com o filho”, contou.
A fé da família ainda continua, mesmo com a situação difícil. “Estamos orando 24 horas por dia. Ele até foi batizado, para que, caso morra, não morra pagão”, revelou o pai.
Depois das reportagens do JBr, o Ministério Público do DF pediu acesso à Central de Regulação de Leitos de UTI, por entender que o serviço precisa de maior transparência. Em nota, o MPDFT salientou que, assim como ocorreu com a UTI de neurotrauma do Hospital de Base, inaugurada em agosto de 2012 sem condições de funcionamento, foi expedida recomendação para que não fossem abertos leitos em desacordo com normas da Anvisa.
A Defensoria Pública já moveu 95 ações judiciais para leitos de internação em UTI de janeiro até abril deste ano. E em maio, os defensores relataram que a demanda tem aumentado.
Conforme o relatório da Secretaria de Saúde, que traz o balanço de 2012, no ano passado foram registradas 28,6 mil queixas a respeito da rede pública. É uma média de três por dia. Entre as maiores dificuldades relatadas pelos pacientes estão a dificuldade o agendamento de consultas, e falta de medicamento na rede SUS.
O relatório da pasta revelou ainda que dos mais de R$ 3 bilhões reservados à área, restaram nada menos que R$ 355 milhões. Investimentos como a ampliação de unidades não saíram do papel, mesmo depois de autorizados.