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Brasília

Negociações no Torre Palace são retomadas

Arquivo Geral

04/06/2016 10h39

A Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Paz Social informou, na manhã deste sábado (4), que foram retomadas as negociações com os ocupantes do Hotel Torre Palace. O objetivo continua sendo a desocupação pacífica do local e, principalmente, a manutenção da segurança das crianças que lá estão. Ainda segundo a pasta, como os celulares dos ocupantes estão descarregados, o contato com eles será feito de forma visual ou por meio do  emprego de megafone. A operação para a desocupação está no quarto dia.

Justiça determina retirada de crianças

A Justiça determinou, segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Paz Social, a retirada das quatro crianças, entre elas duas de colo, da ocupação. A pasta informou que está envidando esforços efetivos, inclusive via Vara da Infância e Juventude, para que elas sejam liberadas o mais rápido possível, pois as duas mais velhas, que têm aparentemente entre 7 e 8 anos, são asmáticas e necessitam de cuidados médicos urgentes, que deverão ser prestados pelo Corpo de Bombeiros após liberação delas pelos adultos que ocupam o hotel.

Leia mais: Justiça determina que crianças sejam retiradas do Torre Palace, afirma secretaria

Quando liberadas, essas crianças serão encaminhadas à Vara da Infância e da Juventude, que decidirá se elas, posteriormente, serão encaminhadas a entidades de acolhimento conveniadas à Secretaria de Estado do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos do DF (Sedestmidh).

Interdição ampliada para a W3 Norte

A Secretaria disse, ainda, que, tendo em vista que os ocupantes do Torre Palace Hotel continuam arremessando objetos do alto do prédio, será necessário manter a interdição do perímetro em torno do hotel, inclusive ampliando o fechamento para a W3 Norte. De acordo com a secretaria, liberar a área ao trânsito de pedestres e de veículos seria colocar em risco a vida de quem passa pelo local. 

Ex-deputado é detido

O ex-deputado distrital José Edmar foi detido após tentar invadir o Hotel Torre Palace, na tarde desta sexta (3), para levar mantimentos aos ocupantes do local. 

Segundo a Polícia Militar, o político desobedeceu as ordens e tentou furar o cerco policial que havia em torno do prédio. Com ele, foram encontrados alguns alimentos como ovos,  pães, latas de sardinha e panelas. Ele foi detido e encaminhado para a 5ª Delegacia de Polícia, localizada no Setor Bancário Norte, onde foi autuado por desobediência e, durante a tarde, liberado. 

Invasores têm água e comida para resistir três meses

Líderes do Movimento Resistência Popular (MRP) que, desde outubro do ano passado ocupa o Torre Palace Hotel, garantiram ter água e comida suficientes para resistir de dois e três meses ao cerco que, desde o dia 1º, é feito pela Polícia Militar.

Segundo o porta-voz da PM, capitão Michello Bueno, mesmo que seja verdadeira a informação sobre esse estoque, a tendência é que, aos poucos, os ocupantes do prédio desistam de continuar no local por causa do estresse e da pressão psicológica naturais em situações como esta. Enquanto o PM conversava com a reportagem, um dos ocupantes do imóvel gritava do alto do prédio: “Vou ficar aqui até morrer!”

De acordo com o capitão, a situação é “delicada porém, natural” em situações desse tipo. “Mas a PM está habituada a deparar com todo tipo de mazelas”, disse ele. Entre as preocupações dos policiais está o risco de que ocupantes caiam do prédio, em meio algum tumulto, uma vez que não há esquadrias, nem proteção nas janelas e escadarias. “Esse risco ficaria ainda maior, caso algum helicóptero se aproxime da cobertura. Por isso, temos de ter sempre muito cuidado com esse tipo de aproximação.”

Uma das líderes do movimento, Doriana Nunes disse que, na manhã desta sexta-feira (3), havia ainda 53 pessoas no interior do hotel. Já a PM estima que haja entre 10 e 14 pessoas. Segundo Doriana, o hotel chegou a abrigar entre 130 e 150 pessoas, entre crianças, trabalhadores e desempregados. Todos ficaram abrigados em quartos a partir do 3° andar. Os andares mais baixos estavam sendo ocupados por usuários de drogas, mas, com a chegada da PM, estes foram os primeiros a deixar o local.

Desde o dia 1º, com a chegada da PM, o prédio está cercado e não é permitida a entrada de ninguém que não seja autorizado pelos policiais. “Eles [policiais] esperaram a gente sair para levar as crianças à escola e, na volta, disseram que estavam desratizando o prédio. Desde então, não nos deixaram mais entrar. Estamos agora dormindo ao relento nesses colchões aqui”, disse Doriana, apontando para o gramado onde estavam cerca de 25 pessoas – na maioria senhoras – ligadas ao movimento. Segundo ela, ninguém está deixando o prédio por medo de não conseguir retornar. “Mas todos estão lá por livre e espontânea vontade”, garantiu a líder do movimento.

Estratégia da PM é esperar cansaço

Coordenando um efetivo de 144 PMs, o tenente-coronel Alexandre Lema diz que a principal estratégia “é esperar o cansaço [dos ocupantes] chegar e aguardar que, por iniciativa própria, eles desocupem o hotel”. Segundo o capitão Michello, o cerco feito pela PM tem entre os objetivos pressionar psicologicamente aqueles que ainda resistem na ocupação. “Geralmente, entre o segundo e o terceiro dias, eles começam a se estressar e discutir entre si. Hoje mesmo já saiu uma pessoa dizendo que não concordava com a estratégia da ocupação.”

Leia mais: Primeiro invasor que resistia à desocupação se entrega à polícia

Michello foi um dos policiais que entraram no prédio durante as negociações. “Percorri todos os andares e observei muita coisa. O interior parece um hotel em reforma ou construção, cheio de entulho. Há quartos arrumados e desarrumados. O que mais me chamou a atenção foi a condição ruim deles… dá pena. Não é uma situação boa e não queria isso para mim. Sei que eles não são bandidos, mas estão infringindo a lei. E estão prejudicando todo o Setor Hoteleiro Norte, o que resulta em muitas queixas de empresários, porque ninguém quer ficar nos hotéis vizinhos. Fora o transtorno nas pistas, que foram fechadas depois deles começarem a jogar pedras”.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília, com Agência Brasil

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