Francisco Dutra
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Estacionamentos irregulares e engarrafamentos sufocantes prejudicam os fins de semana dos moradores do Lago Sul, vizinhos à revelia do Na Praia. Segundo síndicos e gerentes de condomínios, gramados e jardins são tomados por carros do público nos dias de pico do festival – sextas-feiras, sábados e domingos.
“Aproximadamente duas semanas antes do começo de julho, os organizadores nos chamaram para uma reunião. A intenção deles é fazer sempre o evento e por isso queriam conversar conosco. Prometeram diversas coisas, inclusive o controle do trânsito, porque nas edições passadas teve muito problema. Mas não fizeram”, desabafa o síndico do Lakeside, Maurício Baeta.
Sem rédeas, o trânsito da região fica entregue ao caos, e em certos estacionamentos irregulares a exploração comercial indevida das vagas. Para Baeta, deveria haver um controle do tráfego para garantir o acesso dos moradores. “Poderiam adotar placas ou selos nos carros dos moradores. Assim só eles teriam acesso, enquanto o fluxo do público seria direcionado para outro local”, sugere.
A gerente do condomínio Premier, Kessly Lopes, compartilha a indignação. “Tem engarrafamento e gente usando indevidamente nosso jardim como estacionamento. Dizem que informam a Polícia Militar e o Detran, mas ninguém resolve nada. É uma confusão”, desabafa. Por ano, o condôminos desembolsam R$ 14 mil para manter o jardim.
Os organizadores do Na Praia contestam a versão dos moradores. “Cabe ao Detran, como em qualquer outro grande evento realizado na cidade ou no País, acompanhar o trânsito da região, não tendo sido combinada, tampouco exigida, em nenhum momento, a colocação de segurança privada para adequação do fluxo e cabendo somente aos órgãos competentes do governo a fiscalização de qualquer área utilizada com fins comerciais (como estacionamento pago) sem autorização”, afirmam.
Em nota, também alegam que incentivam o uso do transporte público e alternativo, a exemplo do Uber e de táxis.
Ocupação da orla do lago
O Na Praia divide opiniões. Se por um lado ele agrada ao público jovem, por outro desperta questionamentos pelo fato de receber carta branca do governo Rollemberg (PSB).
O professor de arquitetura e urbanismo da Universidade de Brasília (UnB) Frederico Flósculo não observa o mesmo empenho do GDF para atividades de democratização do Lago Paranoá focadas em outros grupos sociais. “Onde está o incentivo para as crianças? Para as famílias? E os idosos?”, argumenta o especialista. Do outro lado do debate, o Na Praia movimenta a economia gerando empregos diretos e indiretos, mesmo em tempos de crise.