Menu
Brasília

Na luta contra o câncer, empresária cria projeto para ajudar outras pacientes

Arquivo Geral

09/05/2017 7h00

Atualizada 08/05/2017 23h06

Foto: Ariadne Marçal

Joyce Coelho
joyce.coelho@jornaldebrasilia.com.br

Receber um diagnóstico de câncer é um baque na vida de qualquer pessoa. Conviver com a dor e a luta diária pela vida acaba se tornando o principal desafio para quem precisa enfrentar a doença, que assusta. A gestora de eventos Ana Flávia Coelho, 53 anos, precisou encarar a enfermidade por duas vezes. Porém , ela não se deixou abater. Durante o processo de recuperação, a empresária criou o projeto “Ai, que saco”, com o intuito de ajudar mulheres que passam pelo mesmo problema e não têm condições financeiras de arcar com o tratamento. A quantia obtida com venda dos saquinhos organizadores – para lá de descolados – é destinada a cobrir esses custos.

A descoberta da enfermidade de Ana veio em 2008, durante uma sessão de massagem. “Estava na minha rotina matinal quando percebi um nódulo na mama esquerda. De início não fiquei preocupada, mas, com o passar do tempo, aquele caroço foi crescendo e fui atrás de cuidados. Após uma série de exames, foi constatado o tão temido câncer. Confesso que no primeiro momento agi naturalmente, sempre fui muito forte. A cirurgia para a retirada foi tranquila e a recuperação foi mais calma do que eu esperava”, conta a empresária.

No entanto, nem tudo é um mar de rosas. Sete anos se passaram e ela descobriu um novo nódulo na mesma mama. “Dessa vez foi diferente, eu fiquei com medo. Tive que fazer quimioterapia. Eu me sentia fraca, sem forças para nada. Como sou gestora de eventos, tive que parar de produzir. Eu estava totalmente debilitada. Não vou mentir: isso me deixava muito mal. Eu sempre fui muito ativa, e não fazer nada me colocava mais para baixo”, relembra.

Segundo Ana Flávia, a fase da quimioterapia foi a mais complicada. “Não sei se foi porque o câncer veio na mesma mama ou se foi porque não sofri na primeira (risos), mas dessa vez foi diferente. Minha vida era ficar deitada. Não podia abrir os olhos que doía. Pensei que iria morrer, não tinha mais forças para nada. Eu estava literalmente derrubada”, relata.

Ai, que tédio

O processo de quimioterapia durou aproximadamente oito meses. Oito meses de sofrimento e tédio. “Eu sou proativa, não consigo ficar parada. O que eu faria até me recuperar? Durante esse período eu sempre queixava: Ai, que saco, não consigo fazer nada sozinha. Foi através dessas queixas que tive a ideia de criar saquinhos para organizar minha mala. Eu adoro viajar e isso me ajudaria na hora da organização”, observa.

Para a produção, ela começou a perceber os horários que se sentia melhor. “Como eu fiquei bastante debilitada, precisava me adaptar. E olha que deu certo. Nos momentos em que eu não estava com dores, eu conseguia produzir. Ao todo foram oito sacos voltados a viagem”, relata.

“Confesso que foi um momento maravilhoso, eu me sentia bem. Naquele instante de produção eu até esquecia a dor. Aquela era a verdadeira Ana Flávia Coelho”, comemora a gestora.

Troca de experiências

Durante idas a hospitais – que pareciam eternas –, a empresária se tornou bem observadora. “Comecei a perceber os movimentos e avaliar cada mulher que estava ali. O sofrimento era nítido, afinal, essa doença é insuportável. Muitas vezes me questionava: por que era possível o câncer prejudicar tanto? Isso remoía minha mente”.

Ana Flávia conta que, no ano passado, foi convidada para participar de um debate sobre o Outubro Rosa. “Foi uma experiência e tanto. Durante a palestra eu conheci a médica Luci Ishii, que me apresentou o trabalho dela na Associação Brasiliense de Apoio ao Paciente com Câncer (Abac-Luz). Eu fiquei maravilhada. Ela ajudava mulheres que não tinham condição de arcar com os exames”, afirma.

A Abac trabalha com exames para mulheres que estão com indícios do câncer. Caso seja diagnosticada a doença, a própria entidade faz o encaminhamento para o tratamento imediato.

Com a decisão de ajudar financeiramente o projeto, as coleções do “Ai, que saco” precisariam ser ampliadas. “As ideias surgiam instantaneamente. Eu tinha que criar para todos os gostos. Fiz produtos relacionados à academia, cachorros, homens e cozinha”, destaca.

Todo o processo durou cerca de quatro meses. “Criei todo o layout, preparei todas as formas. Então, lancei o site para as vendas. Eu posso afirmar, com todas as palavras, que estou cuidando de uma forma bem intensa dessa causa que eu decidi abraçar”, orgulha-se Ana Flávia. “Nossos produtos são comercializados via internet em coleções completas ou em modelos individuais. E estamos ampliando nossa linha. Em breve, teremos sacos personalizados para tudo. Esse é o barato!”, completa.

A empresária ressalta que a ideia principal não é sustentar uma estrutura, mas arcar com exames para as mulheres. “Para elas, a Abac economiza cerca de oito meses de tratamento. Esse período significa viver ou morrer”, destaca.

Aproximadamente 80 mulheres já foram ajudadas. “É uma situação dolorida. Então, poder ajudar me dá uma satisfação muito grande. É uma ajuda concreta. Eu sei que vão ter uma quantia necessária para encaminhá-las para os devidos cuidados”, confia.

Serviço

Para cada produto vendido, todo o lucro é revertido a esta causa.
Entre no site para conhecer as coleções: aiquesaco.commercesuite.com.br

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado