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Brasília

Na luta contra as drogas, DF perde mais uma

Arquivo Geral

11/04/2013 7h50

 

 

Mais um crime bárbaro assustou os brasilienses. No Guará, uma reclamação sobre o uso de drogas perto de sua casa motivou o assassinato de  Isaque Nilton Alves Boschini, 28 anos. A vítima foi espancada até a morte. Os acusados do crime são  Moisés Maciel Pinto, de 41 anos, e Jean Carlos Lopes do Nascimento, de 19 anos – eles foram presos em flagrante. Um terceiro suspeito ainda está foragido.

 

Segundo a polícia, por volta da 1h de ontem, Isaque chegava ao prédio onde morava, no Conjunto C da QE 40,  quando encontrou um grupo que estaria usando crack.  Quando ele reclamou  da presença dos homens, Jean, que estava  em um carro, teria  tentado atropelar a vítima, mas sem sucesso.

 

Depois,   Moisés  e um outro rapaz, ainda foragido, teriam espancado Isaque. Todos os suspeitos fugiram do local. A vítima foi  levada ao Hospital de Base, mas não resistiu aos ferimentos. Isaque estagiava em uma corretora de imóveis.

 

 

 

Moisés, um dos suspeitos do crime, assumiu ser usuário de drogas em depoimento à Polícia Civil. Não disse nada além disso. Ele é ex-lutador e professor de Muay Thai. O homem foi encontrado pela polícia caminhando pela rua, próximo ao local do crime. “A situação de ele ser lutador apenas demonstra uma covardia”, ressaltou o delegado Jeferson Lisboa, da 4ª DP (Guará).

 

O outro suspeito, Jean, foi localizado   minutos depois, no carro usado para tentar atropelar Isaque. Na delegacia, ele optou por permanecer calado. Jean teve passagem pela polícia, quando menor, por ato análogo ao porte de arma. Já Moisés tem antecedentes por ameaça, desacato e porte de arma branca. Ambos responderão por homicídio qualificado por motivo fútil. Eles podem pegar até 30 anos de prisão.

 

Denúncia horas antes

 

 A QE 40 é conhecida por ser ponto de tráfico de drogas. O consumo de drogas na porta do prédio incomodava Isaque, que chegou a fazer uma reclamação à corretora de imóveis responsável pelo contrato de aluguel. Ele morava no local há nove meses com a mulher e a filha, de sete anos.

 

 Isaque  compareceu à corretora para registrar o pedido de providência sobre a situação no mesmo dia em que foi agredido. Diante do alerta, responsáveis pela corretora informaram que acionariam o dono do apartamento. Horas depois, durante a noite, ocorreram as agressões na porta do bloco. 

 

Laudo preliminar de médicos que prestaram socorro à vítima no Hospital de Base alertou sobre hemorragia abdominal como uma das causas da morte de Isaque.

 

 

 

Colega de trabalho e amigo da vítima há 15 anos, André Rodrigues, 33 anos, acompanhou Isaque até a imobiliária para que a reclamação fosse feita. O também corretor de imóveis, que esteve com o autônomo nas últimas horas de vida, explica que há pelo menos um mês o amigo se queixava sobre o uso de drogas no local. 

 

“O tempo inteiro ele reclamava e falava que não aguentava mais conviver com isso. Isaque dizia que a situação o impedia até mesmo de descer com a filha para brincar. Ele morreu defendendo a família dessa situação e saiu da corretora com a informação de que o dono do apartamento seria alertado”, aponta.

 

 

 

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