Um mês e meio de trabalho intenso possibilitou a realização de 20 mil exames citopatológicos para prevenção do câncer de colo de útero. O mutirão executado pela Central de Citopatologia da Secretaria de Saúde foi feito entre março e abril e reduziu o tempo de espera por um resultado para cerca de dois meses – antes podia demorar até seis.
A central, approved que foi criada em 2004 e desde o final do ano passado funciona nas dependências do Hospital Regional da Asa Sul, realiza cerca de 130 mil exames anuais. Mesmo assim, as lâminas vinham se acumulando ao longo dos últimos meses devido a uma série de problemas como a falta de material e escassez de pessoal técnico.
“O mutirão foi um trabalho de equipe, onde cada um se empenhou, trabalhando em carga máxima, para aumentar a produtividade e reduzir a fila de espera”, destaca a chefe do Núcleo de Citopatologia da SES, Maria de Felipe Martinez. Segundo ela, a meta, agora, é reduzir esse prazo ainda mais e passar a disponibilizar a conclusão do exame em 30 dias.
O trabalho do laboratório obedece a uma rotina específica. Um carro, fornecido pelo Laboratório Central (Lacen), recolhe diariamente as lâminas de vidro com material ginecológico colhido pelos médicos de todos os centros de saúde e hospitais de rede pública. Quando chegam à Central, essas amostras são triadas, passam por um processo de coloração e seguem, então, para a leitura dos médicos citopatologistas. Em seguida, os resultados são digitados e encaminhados de volta ao local de origem.
Cerca de 2% a 3% das lâminas apresentam alterações. É importante que essas pacientes tenham o resultado o mais rápido possível para que seja iniciado o tratamento. Por isso, alerta a chefe da Central, é essencial o correto preenchimento da requisição de exame por parte dos médicos assistentes e que a paciente forneça endereço e telefone de contato verdadeiros.
Diagnóstico
O diagnóstico do câncer de colo de útero é, predominantemente, clínico. A coleta periódica do exame citopatológico do colo uterino (também chamado de exame pré-câncer ou Papanicolau) possibilita o diagnóstico precoce, tanto das formas pré-invasoras, como do câncer propriamente dito.
Toda mulher que tem ou já teve atividade sexual deve submeter-se a exame preventivo periódico, especialmente se estiver na faixa etária dos 25 aos 59 anos de idade.
Inicialmente, um exame deve ser feito a cada ano e, caso dois exames seguidos (em um intervalo de um ano) apresentarem resultado normal, o exame pode passar a ser feito a cada três anos. Se a lâmina apresentar alteração leve (grau I), o exame deve ser repetido em seis meses. Quando são encontradas outras alterações (graus II e III), o médico deverá decidir a melhor conduta. Será necessário fazer novos exames, como a colposcopia. Já quando existe infecção pelo HPV, o exame deverá ser repetido em seis meses.
Independente desses resultados, é possível que a mulher possa ter alguma outra infecção que será tratada, devendo seguir o tratamento corretamente. Muitas vezes é preciso que o parceiro também receba tratamento, lembra Maria de Felipe.
O número de casos novos de câncer do colo do útero esperados para o Brasil no ano de 2008 era de 18.680 – as estatísticas ainda não foram totalizadas – com um risco estimado de 19 casos a cada 100 mil mulheres. Em Brasília eram esperados 220 casos, perdendo apenas para o câncer de mama, com 660 estimados. A incidência desse tipo de câncer é evidente na faixa etária de 20 a 29 anos e o risco aumenta rapidamente até atingir seu pico geralmente na faixa etária de 45 a 49 anos.