Isa Stacciarini
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O Museu Nacional do Automóvel corre o risco de ser extinto. Na manhã de ontem, o acervo de veículos antigos e raros foi lacrado pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU). O órgão alegou ter cumprido decisão judicial do Ministério dos Transportes, proprietário da área, que elaborou um processo administrativo enviado à Advocacia-Geral da União (AGU) solicitando a utilização do espaço.
O endereço, que pertence ao Governo Federal, é ocupado há mais de oito anos pelo acervo automobilístico com autorização da SPU, antiga dona do espaço, para ocupar a área. A concessão do local permitiu ao curador do museu, Roberto Nasser, reformar e ampliar o espaço.
Em 2006, Nasser entrou com um processo que solicitava a formalização da ocupação e foi informado pela pasta que o local havia sido cedido ao Ministério dos Transportes.
Diante da situação, a administração do Parque da Cidade ofereceu um prédio no local para abrigar o museu. Segundo Nasser, os documentos necessários foram encaminhados ao governador Agnelo Queiroz. “É necessário uma assinatura de um decreto de mudança de destinação da área”, explica.
O curador do museu ainda ressalta que a ministra-chefe do Gabinete Civil, Gleisi Hoffman, enviou à AGU uma recomendação com a intenção de que sejam tomadas providências para uma solução amigável. Por sua vez, a AGU propôs apresentar um plano de mudança para o museu.
Segundo Nasser, o decreto do governador não foi assinado, a AGU reconheceu a dificuldade em transferir o museu e o aviso da ministra não foi considerado. “Assim, a Advocacia-Geral reconheceu a dificuldade de remoção do acervo e solicitou ao juiz da 5ª. Vara Federal que mandasse lacrar o museu”, aponta.
120 mil visitantes
Para Nasser, o motivo da devolução da área não se justifica, uma vez que o museu já recebeu mais de 120 mil visitantes e possui a maior biblioteca especializada no País, além de reunir peças raras. “Agora, aguardo um pedido de reconsideração de uma decisão do juiz protocolada semana passada, espero um encontro com o advogado do governador e uma solução”, destaca.
Contudo, o curador afirma que diante das atitudes dos governos Federal e local, a espera não será aguardada por muito tempo. “Se o Governo Federal não quer o museu fecharei, exportarei o acervo e venderei a biblioteca”, ameaça.