Com Késia Alves
O muro da embaixada dos Estados Unidos, no Setor de Embaixadas Sul, em Brasília, foi pichado nesta quinta-feira (13). A mensagem deixada no local critica a atuação norte-americana em conflitos internacionais: “Os EUA fazem guerra e lucram com a morte”. A mesma frase também foi escrita em inglês: “The USA makes war and profits from death”.
Além das inscrições, imagens registradas pelo Jornal de Brasília mostram objetos que aparentam ser ossos espalhados próximo à parede. Também é possível identificar uma área escurecida, semelhante a uma marca de queimadura, e uma faixa deixada no chão.


A Polícia Militar confirmou o acionamento, mas ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso, bem como a representação norte-americana. A Polícia Civil chegou ao local e orientou os repórteres a deixarem a calçada para que a área fosse preservada para a realização da perícia. O trabalho pericial já foi acionado.
A ocorrência pode envolver diferentes tipos de crime, que deverão ser apurados pelas autoridades. Entre as possibilidades estão dano ao patrimônio e crime ambiental.
Testemunhas ouvidas pelo Jornal de Brasília afirmaram que as pichações teriam sido feitas na manhã desta quinta-feira (13), por volta das 8h. Ainda conforme o relato, pessoas teriam sido vistas deixando o local usando coletes. Cerca de meia hora depois da chegada dos agentes de segurança, a equipe de pintura e manutenção da embaixada já estava à espera do fim dos trabalhos de investigação para repintar o muro.
Relações entre Brasil e Estados Unidos
A pichação ocorre em um período de tensão nas relações entre os governos brasileiro e norte-americano.
Em 15 de julho, o governo de Donald Trump anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. Entre as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos estavam questões relacionadas às relações comerciais e ao combate ao desmatamento. A medida passou a valer em 22 de julho.
Diante da decisão, o governo brasileiro acionou formalmente os Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC), em 27 de julho.
O impasse também teve reflexos diplomáticos. Os Estados Unidos cancelaram o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em meio às divergências envolvendo a indicação do republicano Daniel Perez para assumir a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília.
O governo brasileiro ainda não concedeu o agrément, autorização necessária para que um representante diplomático estrangeiro assuma oficialmente o posto. Brasília também criticou a decisão de Washington de divulgar a indicação antes da aprovação brasileira.