A comunicação envolve os cinco sentidos. Mas poucos discordam que, prescription na relação com o mundo, erectile a visão é um dos mais requisitados. Os códigos visuais têm um apelo cada vez mais destacado na paisagem urbana. Tanto que, para um deficiente visual, um simples passeio em uma cidade desconhecida pode se converter em uma jornada repleta de perigos.
Essa parcela da população ainda enfrenta dificuldade para se comunicar e se locomover. Mas os avanços são inegáveis, como por exemplo a difusão do alfabeto Braille. O sistema de leitura, desenvolvido pelo francês Louis Braille, no século XIX, é celebrado mundialmente hoje. A data é ainda mais simbólica por marcar os 200 anos do nascimento do criador do código.
“A escrita deu ao Homem a possibilidade de registrar a História. Já o alfabeto Braille deu aos deficientes visuais a possibilidade de participar dessa História. Enquanto existir comunicação entre os homens, o Braille terá o seu lugar”, enfatiza Patrícia Raposo, 40 anos. Cega desde os 21, em decorrência de diabetes, ela recusou-se a se isolar e, hoje em dia, é a principal responsável pela inclusão dos deficientes da Universidade de Brasília (UnB).
Difusão do conhecimento
Professora da Faculdade de Educação e coordenadora do Laboratório de Apoio ao Deficiente Visual (LDV), Patrícia reconhece que o Braille vem sendo cada vez mais divulgado. Porém, como educadora, ela acredita que ainda há muita carência na transcrição de obras.
“A importância da leitura é indiscutível. Mas ainda temos tido dificuldade em ter o material didático brasileiro transcrito para o Braille. Isso é essencial para a transmissão do conhecimento”, explica.
Direito universal
O pouco investimento afeta também os profissionais da área de educação. É o que relata o deficiente visual e professor da Rede Pública de Ensino do DF, Antônio Leitão. “Da mesma forma como é mais complicado para os alunos, os professores também sofrem com carências de recursos”, conta.
Leitão está afastado temporariamente das salas de aula devido à implantação de uma prótese no quadril, mas, este ano, pretende assumir uma função na Biblioteca do Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais, localizado na 612 Sul. Ainda assim, Leitão é conselheiro da Pessoa com Deficiência Visual do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Coddede), da Secretaria de Justiça, e atualmente ocupa o cargo de presidente da Associação Brasiliense dos Deficientes Visuais (Abdv).
Na associação, Leitão entra em contato com os diferentes anseios dos deficientes visuais. Segundo ele, a sociedade ainda precisa avançar muito com relação à aplicação de instrumentos para a inclusão. “Quando se fala em acessibilidade, não se pode pensar em deficientes físicos, e sim em toda a sociedade. Deve-se pensar, simplesmente, no que é fundamental e universal. Dessa forma, todos serão naturalmente beneficiados”, diz.
De acordo com Leitão, quando acontecem encontros relacionados à inclusão, o mais comum é a determinação de ações pautadas em associações mais organizadas, que não é o caso dos deficientes visuais. “Sem o olho, o indivíduo perde 85% das informações que estão ao seu redor. Por isso, muitos deficientes acabam se isolando em casa e tornando-se dependentes. Para amenizar isso, o Estado deve fornecer melhores condições para o indivíduo sair de casa. Condições para o deficiente físico se orientar no espaço”, defende.