Lucas Neiva
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Na noite da última terça-feira (5), a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) conseguiu capturar Rafael de Souza, 33 anos, membro de uma organização criminosa especializada em furtos e roubos. Rafael possui um vasto currículo criminal — acusado por roubos, furtos, uso de moeda falsa, participação em organização criminosa, uso de documento falso, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e mais diversos outros crimes que ainda serão inquiridos.
Rafael era membro de uma organização criminosa já desmanchada e presa pela Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri) da PCDF este ano, formada por criminosos que se passavam por policiais civis para cometer assaltos. Seu papel no grupo era de receptar os veículos roubados pelos colegas que eram vendidos ou trocados por drogas no Paraguai, e então revendidas no Brasil.
Além de financiar o grupo, Rafael mantinha uma vida paralela. Utilizava uma identidade falsa com o nome de Davi Januário Pena — um residente do Distrito Federal que registrou ocorrência por ter um documento extraviado. Com o nome de Davi, Rafael tirou carteira de motorista e de habilitação náutica, abriu contas bancárias, realizou empréstimos, obteve certificado de atirador e colecionador, comprou armas de fogo e abriu empresas para lavar o dinheiro fruto do crime.
Rafael manteve essa vida paralela por quatro anos, até a Polícia Civil descobrir sua verdadeira identidade. A PCDF agora tenta apurar e individualizar cada um dos crimes que têm Rafael como suspeito. “A polícia agora trabalha para apurar todas as fraudes. Para cada conta corrente, cada documento emitido ele vai ter que responder um inquérito por falsidade ideológica”, explica André Luis da Costa e Leite, Delegado-Chefe da Corpatri.
Vida de luxo
Rafael mantinha uma vida de luxo com o dinheiro do crime, que alcançou a casa dos milhões de reais. “A gente tem a informação de que ele movimentou R$ 5 milhões em quatro anos. Ele morava em Camboriú (SC) e tinha uma residência em um condomínio de luxo na Asa Norte. Ele foi preso com um Amarok e na casa dele havia a chave de um Camaro. Segundo ele, queria ter uma vida nova mas com outro nome, só o que queria era nãoo ser preso. Mas a gente não acredita, sabemos que tem muito mais coisa envolvida”, declarou o delegado.
A PCDF ainda não sabe muito sobre o verdadeiro Davi. Segundo o delegado, “a única coisa que sabemos é a ocorrência de extravio dos documentos. Mas ele ainda vai ser oportunamente chamado aqui para esclarecer se ele tem algum vínculo com o falso Davi ou se foi uma vítima. Ainda não podemos afirmar ou não se ele vendeu ou emprestou o nome. Mas optamos por primeiro prender o falso Davi e depois encontrar o verdadeiro, para não atrapalhar a investigação”.
Rafael confessou todos os crimes, e ainda elogiou o trabalho dos policiais, de acordo com o delegado.
“Parabenizou a polícia pelo trabalho, disse que tinha quatro anos que ele vivia uma vida paralela e agora está disposto a pagar pelos seus crimes.”