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Brasília

Mulheres são mais escolarizadas, mas ainda ganham menos que os homens

Arquivo Geral

06/03/2015 6h50

Lia Sahadi e Thaissa Leone, com agências
redacao@jornaldebrasilia.com.br

A proximidade do Dia da Mulher, celebrado amanhã,  retoma a discussão a respeito da igualdade de gêneros. No Distrito Federal, estatísticas comprovam que este direito ainda não foi alcançado em alguns âmbitos, a começar pelos rendimentos: a renda das brasilienses é, em média, 22% inferior à dos homens. 

“Eles possuem menos instrução, mas, ainda assim, elas têm um salário inferior”, pontuou  Flávio de Oliveira Gonçalves, coordenador-geral da pesquisa  Mulheres no Distrito Federal e nos Municípios Metropolitanos: Perfis da Desigualdade. O levantamento é da Codeplan.

No Plano Piloto, a diferença salarial entre homens e mulheres cai para 17%. Já na Fercal, a disparidade é a maior de todas as regiões: 47%. Nas ruas, as opiniões sobre este assunto divergem. Jaqueline dos Santos, 31 anos, é funcionária de uma estatal e acredita que cada pessoa  tem uma parcela de responsabilidade quanto às diferenças salariais. 

“Acho que em grande parte dos casos a diferença do salário é espelho do comportamento das pessoas, independentemente do gênero. Se alguém se dedicar mais,   vai colher mais frutos”, avalia. Ela promete batalhar para superar o prejuízo: “Depois de mais velhas,  buscamos alcançar com mais vontade nossas metas”.  Na capital,    72% dos lares são chefiados por homens e   89% das mais de 230 mil mulheres que declararam serem chefes de casa não moram com homens. 

Participação no mercado

Raimunda de Jesus, 25, veio do Maranhão em busca de uma vida melhor no DF. Ela chegou a trabalhar como operadora de caixa, mas uma gravidez inesperada mudou os planos. “Comecei a passar muito mal, tive muito enjoo  e resolvi ficar em casa, cuidando do meu filho”, diz.

A jovem está inserida em uma das conclusões da pesquisa: de que mulheres que possuem filhos com idade de até três anos têm menos 36%  de chances de ingressar no mercado de trabalho. Sem perspectivas profissionais, ela teve de voltar para a terra natal.

Segundo a pesquisa, mulheres negras possuem menor grau de escolaridade e chegam a ter menos 9% de chances de serem inseridas no mercado de trabalho. Para a secretária de Políticas para as Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (Semidh), Marise Nogueira,  o quadro de desigualdade é amplo. “Infelizmente, eu sou uma exceção. Sou negra, servidora pública e moro no Plano Piloto. É papel do Estado dar oportunidades para todos, ainda que nem todos sejam iguais”, concluiu Marise.

A maioria das mulheres que chefiam casas  é do Núcleo Bandeirante (38%), Paranoá (35%), Varjão (34%), Guará (33%) e Taguatinga (32%).

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