Um grupo de 23 mulheres do pré-assentamento Chapadinha, na região do Lago Oeste, participam do Prêmio Mulheres Rurais que Produzem o Brasil Sustentável.
Organizado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres, da Presidência da República, o objetivo é dar visibilidade ao trabalho das mulheres do campo e da floresta no fortalecimento da sustentabilidade econômica, social e ambiental e na geração da segurança alimentar.
O grupo – chamado Raízes da Terra – é composto por mulheres que possuem a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) – que identifica os agricultores aptos a acessarem diveras políticas públicas governamentais voltadas à agricultura familiar. Elas fazem parte da Associação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Astraf) e comercializam seus produtos hortifrutigranjeiros, cultivados de forma agroecológica, para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e em feiras do DF.
Atualmente, a comunidade possui 21 kits de Produção Agroecológica Integrada Sustentável (PAIS), fornecidos pelo Sebrae e implantados com a assistência técnica da Emater-DF. O kit possui caixa d’água, estacas, cercas, sementes e outros materiais necessários para criação de hortas em formato circular com um galinheiro no centro. São produzidos alimentos sem o uso de agrotóxicos e adubos químicos, com princípios agroecológicos, a fim de diversificar a produção.
O PAIS foi implantado, inicialmente, em sete propriedades, sendo seis administradas por mulheres. Com o cultivo nesse sistema elas conquistaram a Declaração de Cadastro de Produtor Vinculado a OCS (Organização de Controle Social), o que as autoriza comercializar produtos orgânicos não certificados ao consumidor.
Nessa segunda-feira (25), o grupo recebeu uma comitiva da Secretaria para conhecer e avaliar o trabalho realizado. Segundo a assessora Márcia Leporace, foram muitas inscrições recebidas e as visitas ajudam na classificação dos grupos. Das inscrições recebidas, 577 estavam em conformidade com o edital.
Além de ouvir o relato de experiências das produtoras, sobre como o cultivo tem contribuído para o desenvolvimento de suas famílias, a comitiva visitou duas propriedades que tem a produção agrícola conduzida por mulheres.
A produtora Antônia de Maria Ribeiro contou que, além da atividade produtiva agrícola, as mulheres desenvolvem atividades artesanais. “Caso ganhemos o prêmio, o dinheiro será investido na infraestrutura da sede do grupo e na atividade produtiva”, disse.
Segundo a Economista Doméstico da Emater-DF, Ana Paula Rosado, a participação das mulheres em atividades produtivas agrícolas e não-agrícolas contribui para a geração de renda, promove a segurança alimentar, além de melhorar a autoestima. “Elas se sentem encorajadas e empoderadas, o que oportuniza a autonomia individual e coletiva e a luta pelos seus direitos, bem como o cumprimento dos seus deveres enquanto cidadãs”, diz.
Dos grupos inscritos serão selecionados 30 finalistas que receberão um troféu e, dentre eles, os 10 grupos que obtiverem as maiores pontuações, receberão um prêmio no valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) cada um. A entrega do prêmio para os grupos vencedores acontece no dia 08 de março.
São parceiros do Prêmio o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Ministério do Meio Ambiente (MMA), Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Social (SEPPIR) e Banco do Brasil.