A cada dia cresce o número de mulheres envolvidas com a criminalidade. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, o Presídio Feminino do Distrito Federal (Comeia) abriga 617 internas. Desse total 65% estão envolvidas com o tráfico de droga e o restante por assalto, furto, estelionato, homicídio e roubo.
Assaltos como o realizado por duas mulheres numa loja de cosméticos, na avenida comercial do Riacho Fundo I.
A ação das jovens, morenas claras, bem vestidas e aparentando serem de classe média foi muito rápida. Elas chegaram ao local em uma bicicleta. Esperaram reduzir o movimento de pessoas na loja e redondezas. Quando havia apenas três funcionárias e duas clientes, uma delas com uma criança nos braços, as mulheres invadiram o estabelecimento.
Câmeras
Uma atendente da loja, que preferiu não se identificar, contou à reportagem que elas sequer anunciaram o assalto. A que estava com uma mochila retirou os produtos das prateleiras e os colocou na bolsa. “Pensei que fosse um teatro de estudantes e só acreditei no roubo quando uma delas apontou a arma”, afirma a moça.
A ação foi filmada por câmeras do circuito de segurança da loja. Após recolher perfumes e cremes, elas deixaram o local. As mulheres causaram prejuízo de R$ 400 em dinheiro. Segundo a delegada Alessandra Figueiredo, titular da 29ª DP (Riacho Fundo), a dupla demonstrou inexperiência ao deixar a arma e as munições caírem no chão, mas muita calma.
As assaltantes já foram identificadas. A polícia mantém os nomes em sigilo para não prejudicar as investigações. A delegada Alessandra Figueiredo disse que a identificação ocorreu após denúncias da comunidade. Elas moram no próprio Riacho Fundo I e são consideradas foragidas.
Na opinião da delegada Deuselita Martins, diretora do Presídio Feminino, o perfil da mulher envolvida com a criminalidade no Distrito Federal está mudando. Ela afirma que muitas são identificadas como líderes de organizações criminosas. A maioria, porém, é presa por conta de envolvimento com traficantes de drogas.
Deuselita afirma que a mulher ainda é considerada menos violenta do que o homem. E que, no caso das assaltantes, pode haver outros envolvidos no crime.