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Brasília

Mulher que matou o marido na frente da filha alega legítima defesa

Arquivo Geral

16/05/2017 7h00

Atualizada 15/05/2017 22h57

“Foi pedido exame para saber da violência sexual recente. A gente aguarda os laudos para enviar o caso à Justiça”, Cléber Martins, delegado. Foto: Myke Sena

João Paulo Mariano
redacao@jornaldebrasilia.com

Uma relação conflituosa entre ex-marido e ex-mulher terminou em tragédia em Águas Lindas (GO), Região Metropolitana do DF. Michele Miranda Pereira, 29, disparou cinco tiros contra Alciran Alves Barbosa, 34, que morreu no local por volta das 17h30 do último domingo. Junto à advogada, ela se apresentou ontem à tarde ao Grupo de Investigação de Homicídio (GIH) do município e conversou com exclusividade com o JBr.. Ambos têm uma filha de dois anos, presente no momento do crime.

Como se apresentou voluntariamente à polícia, a mulher foi liberada após depoimento, que durou mais de duas horas. Durante a entrevista, Michele não comentou sobre a sequência dos fatos ocorridos em sua casa, por conselho da defesa e da família. Mas garantiu que houve legítima defesa, depois de ter passado por agressões físicas e sexuais que antecederam os disparos – algo que seria comum mesmo após o término da união estável, que durou oito anos. Eles estavam separados desde o nascimento da filha.

“Eu me arrependo de ter feito isso. Não sei o que vai acontecer comigo”, afirma Michele. Ela diz que nunca denunciou as agressões porque era ameaçada de morte constantemente. A suspeita alega ter tentado socorrer o homem, mas não foi possível. Alciran morreu em frente à casa, apenas de cueca.

Após deixar a cena, a filha foi levada para a babá. Michele fugiu do local no carro da vítima, um GM Onyx prata, para depois abandonar o veículo às margens da BR- 070, com toda sua documentação e até com o revólver calibre 38 utilizado no homicídio.

Segundo a advogada de Michele, Stefania Maria, a defesa alegará legítima defesa, pois as agressões eram constantes, inclusive ocorridas antes do crime. Apesar de a quantidade dos tiros ter sido grande, a advogada assegura que a mulher nunca tinha utilizado uma arma e ficou desesperada. “Ela tentou auxiliar o ex marido. Não houve dolo”, completa.

Stefania apresentou ao delegado um áudio de 30 minutos feito por Michele no sábado, pelo qual o ex-marido a ameaçava se contasse para alguém sobre as agressões. Os dois eram sócios de uma empresa distribuidora de brindes, ele tinha 60% e ela 40%, mas seria ela que tocava os negócios.

Briga no Dia das Mães

O delegado titular do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) e responsável pelo caso, Cléber Martins, afirma que descobriu Michele como a principal suspeita ainda nos questionamentos iniciais aos vizinhos, na noite de domingo. Ele explica que, como foi Dia das Mães, Alciran foi visitar a ex-esposa e a filha. O homem teria chegado ao local após consumir álcool e ali teria fumado maconha – parte desse conteúdo foi encontrado em cima da mesa de Michele.

No depoimento, a mulher alegou que o homem a ameaçou com a arma, que foi adquirida por ele há dois meses e é ilegal. Ele a obrigou a manter relações sexuais e, logo depois, apontou o revólver para a criança. Foi nesse momento que ela, aproveitando um descuido dele, pegou o revólver e efetuou os disparos.

Agora, o delegado espera os laudos cadavérico e pericial para terminar a apuração dos fatos. Se a legítima defesa for confirmada, ela não pagará pelo crime. Mas, se as apurações concluírem o contrário, ela pode ser condenada por homicídio. “Foi pedido um exame para saber da violência sexual recente. A gente aguarda os laudos para enviar o caso à Justiça”, reforça.

Testemunhas

Nenhum dos envolvidos tinha passagens pela polícia. Durante as investigações, Martins alega que não foi descoberto nada contra Michele, e todos os depoimentos, inclusive os da família da vítima, dizem que Alciran era usuário de drogas e que já tinha agredido a ex-esposa. Michele permanecerá com a filha na casa dos pais até que haja julgamento.

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