Tácio Lorran
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A ameaça de uma jovem para divulgar fotos íntimas de um empresário da Asa Sul poderia chegar no valor total de R$ 48 mil se o homem não tivesse acionado a polícia. Acusada de extorsão sexual, a mulher de 22 anos exigiu, inicialmente, R$ 2 mil mensais durante quatro anos para que o seu ex-chefe não tivesse as fotos expostas. Após ter o pedido negado, o valor foi reduzido para R$ 5 mil, em cota única.
As ameças duraram quase um mês. Ela e o chefe de 42 anos mantiveram uma relação extraconjugal durante cerca de dois anos, quando trocavam fotos íntimas. “Ao final do mês de março deste ano, ele resolveu demitir essa funcionária por motivos relacionados ao trabalho profissional”, explica o delegado Ronney Teixeira Marcelo. “Ao ser demitida, a funcionária começou a extorqui-lo”, completa.
As fotos seriam divulgadas para a esposa e a família do empresário, como também no ambiente de trabalho. Segundo depoimento prestado na 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul) – que investigou o caso -, a jovem iria usar o dinheiro para pagar a última parcela do carro que havia comprado. Ela admitiu a prática do crime e disse que o restante do dinheiro seria usado em gastos pessoais.
Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão na casa da jovem, foram encontradas 20 fotografias íntimas do empresário, já reveladas e prontas para serem divulgadas. Junto às imagens, os policiais recolheram o celular dela, que continha mensagens e imagens que comprovam o crime de extorsão sexual.
Em uma das mensagens de texto, ela alerta ao ex-chefe que vai tentar um novo acordo: “Pra você não vai ser muito difícil porque já fez isso uma vez”, escreve. Em seguida, ela diz para o empresário não tentar tirar o “nome da reta”, pois ele está “errado em todos os aspectos”. “Por R$ 5 mil eu esqueço toda essa história e você nem vai lembrar do meu nome”, intimida.
- Foto: PCDF/ Divulgação
- Foto: PCDF/ Divulgação
- Foto: PCDF/ Divulgação
- Foto: PCDF/ Divulgação
Em depoimento, o empresário admite que ficou com muito medo de ver sua vida pessoal exposta. Ele contou a situação à esposa e em seguida procurou a delegacia. O delegado Ronney explica que a orientação foi dada para que ele não cedesse à chantagem. “Uma vez que ele cede, o empresário ficaria na mão da criminosa pela vida inteira”, conta.
Com a denúncia, a mulher foi levada à delegacia para prestar as devidas declarações. Ela tem um filho e vive com um homem, que ficou sabendo do caso quando os policiais chegaram na casa. A jovem já foi indiciada e responde em liberdade pelo crime de extorsão sexual. Caso condenada, a pena é de quatro a dez anos de prisão.
O Art. 158 do Decreto-Lei nº 2.848, condena todo aquele que constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter vantagem econômica. A legislação pode ficar mais específica. Desde 2017, tramita na Câmara Legislativa um Projeto de Lei que inclui ao crime de extorsão, “a conduta de quem ameaça divulgar conteúdo íntimo de outrem com o intuito de obter para si vantagem, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma coisa”.
Para evitar
O delegado Rooney adverte aos cidadãos para que tomem cuidado ao divulgar esses tipos de fotos. “Primeiro, se você vai mandar uma foto íntima para alguém, tem que estar ciente dos riscos que isso envolve”, explica. Ele ressalta que, mesmo o destinatário sendo uma pessoa de confiança, o aparelho celular pode parar na mão de outras pessoas sem querer, além do risco de as fotos vazarem.
“Se de fato a pessoa queira realizar essa troca de fotos íntimas, é importante que as imagens não mostrem seu rosto”, recomenda o delegado. Às pessoas que estejam em situação semelhante a do empresário, Rooney aconselha que procure imediatamente a delegacia de polícia mais próxima.



