Há duas qualidades no governador Rodrigo Rollemberg repetidas com frequência quando se fala dele: é bem-intencionado e honesto. Segue-se, geralmente, “mas…” seguido de algumas restrições de ordem política, administrativa ou gerencial.
Fatos recentes, porém, têm mostrado que a imagem de honestidade de alguém pode ser derrubada em segundos, existam ou não motivos reais para isso. Uma denúncia mentirosa e sem fundamento, espalhada pelas redes sociais e agasalhada por veículos da imprensa, pode destruir rapidamente uma reputação.
O ônus de provar a honestidade passa a ser do acusado, numa inversão das normas do Direito. Mas é assim que funciona. E o governador precisa redobrar seus cuidados para não perder, ainda que injustamente, a imagem que mantém.
A insustentável leveza de uma investigação
Para manter sua reputação de honesto, importantíssima em tempos de Lava-Jato e outras operações, Rollemberg tem de ter atenção redobrada para algumas coisas que acontecem em seu governo. As gravações feitas pela presidente do SindSaúde, Marli Rodrigues, mostram que os mecanismos de detecção e repressão aos corruptos não estão funcionando bem. E que há malfeitos, há. Assim que recebeu do vice-governador Renato Santana a suspeita de prática de corrupção na Secretaria da Fazenda, Rollemberg deveria tê-lo obrigado a formalizar denúncia à Controladoria Geral e ao Ministério Público, para que fosse investigada. Santana, inclusive, deveria ter feito isso de qualquer maneira assim que soube do rumor. Mas o governador apenas pediu informalmente uma apuração, Santana considerou ter cumprido seu dever e a Controladoria mostrou-se ineficiente ao simplesmente dizer que a pessoa citada não era servidora do governo e nada havia a investigar.
E assim ficou por isso mesmo.
Vem mais aí, é melhor agir
Há muitas outras gravações feitas por Marli Rodrigues e que estão com o Ministério Público. Envolvem deputados distritais, secretários, subsecretários e pessoas próximas ao governador. A gravação agora vazada, e não por ela, está também com a Polícia Civil. O que se fala nas conversas tem de ser investigado, não basta apenas exigir que sejam apresentadas provas. Não é processando a presidente do SindSaúde ou com respostas indignadas, que culpados sabem proferir com a mesma veemência dos inocentes, que o governo vai se livrar deste problema. É investigando com profundidade e competência e dando todas as explicações pedidas pela Câmara Legislativa, pelo Ministério Público e pela Polícia Civil.
E, depois, demitindo todos os que estiverem realmente envolvidos e afastando os que, de fora, procuram atuar ilicitamente no governo. Esses, há muitos.
Melhor não ter aliados assim
Poucos dias depois da conversa do vice-governador Renato Santana com a presidente do SindSaúde, por ela gravada, o governador Rollemberg recebeu a informação de que o vice tinha se manifestado categoricamente contra a implantação de organizações sociais, inclusive dizendo que estava empenhado em mobilizar os sindicatos da área para se opor à medida.
Rollemberg recebe notícias sobre críticas de Santana a ele e ao governo desde o início do mandato. Ambos já tiveram algumas discussões, uma delas aos gritos, mas sempre se acertaram depois, inclusive com a mediação do deputado Rogério Rosso, que indicou Santana para o cargo em nome do PSD.
Mas o governador está convencido, intimamente, de que há aliados que mais atrapalham do que ajudam. E que há aliados que tramam, de dentro, contra ele.
À base de armações e factoides
Renato Santana cabe perfeitamente no figurino de um tipo que, nas redações antigas, era chamado de “simulador de produtividade”. É aquele que não trabalha e nada produz de útil, mas faz jogo de cena e sabe simular com competência uma atividade intensa – com a ajuda de assessores que armam as situações e de jornalistas que caem em seus factoides.
São inúmeros os casos em que o esforço do vice de simular produtividade causou constrangimentos ao governador, a secretários e outros integrantes do governo. Um bem conhecido foi a montagem de um cenário artificial em Brazlândia por ocasião do lançamento da campanha contra o mosquito aedes aegypti.
A conversa do vice com Marli Rodrigues mostra o despreparo de Santana, sua irresponsabilidade, falta de compromisso com o governo que integra, deslealdade para com o governador e o esforço para agradar à presidente do SindSaúde.
E, claro, um forte indício de prevaricação.
Vice tem custo-benefício negativo
A figura do vice-governador deveria acabar. O vice, em geral, custa muito caro aos cofres públicos – tem até residência oficial –, costuma conspirar contra o titular e tudo o que eventualmente faz pode ser feito por um secretário.
Antes de Brasília ter eleições, quem substituía eventualmente o governador era o chefe da Casa Civil. Funcionava muito bem e não custava um centavo.
Se o afastamento do governador for definitivo, é só fazer novas eleições, diretas ou indiretas. Basta alterar a Lei Orgânica.