
O Ministério Público de Goiás (MPGO) em Caldas Novas deve recomendar, na tarde desta quarta-feira (15), a interdição das atividades no Residencial Privê das Thermas até que seja comprovada a segurança de uso do parque aquático do local. Em menos de dez dias, foram dois acidentes graves. No primeiro, o garoto Kauã Davi de Jesus Santos, 7 anos, teve o braço sugado pelo ralo e morreu após três dias internado em estado grave e, no último dia 9, o administrador de empresas Josias Andrade Saraiva, de 43 anos, também teve o pé sugado. Ele sofreu fratura na tíbia direita e luxação de três dedos do mesmo pé.
O administrador passou pelo incidente em uma piscina de 1,40m, que fica ao lado da área aquática infantil. Foi no local que Kauã teve o braço sugado por um orifício sem tampa. Em entrevista ao JBr., Josias contou que foi quase 1h de agonia na piscina. “Eles pediram para que a gente mudasse de piscina para que fosse feita a limpeza. Como tinha outra ao lado, fui caminhando pelo canto”, disse o administrador. “Quando vi, meu pé já estava sendo sugado pelo ralo. Fiquei agonizando de tanta dor”, completou.

Segundo ele, os funcionários do estabelecimento demoraram quase 40 minutos para chamar o Corpo de Bombeiros. A filha da vítima, que filmou tudo, foi ameaçada. De acordo com Josias, “a família não saiu do quarto com medo de ser agredida” e escutaram de pessoas de dentro do condomínio que eles “não sabiam com quem estavam mexendo”.
Mesmo após o segundo acidente, o clube continua funcionando. O JBr. tentou contato com o responsável pelo Residencial Privê das Thermas, no entanto, foi atendido apenas por um funcionário, que desmentiu as acusações e revelou que uma equipe do Corpo de Bombeiros foi vistoriar o local na manhã desta quarta-feira (15).

Assim como os familiares de Kauã, Josias reclama da falta de preparo e da segurança dos funcionários do Residencial. “Não tinha nenhum tipo de estrutura quando o Kauã foi sugado”, afirmou o tio Kelvis Jesus Costa. “O braço dele entrou no ralo e não conseguiram retirar. O braço dele serviu de tampão. Ele sabia nadar, não foi um afogamento normal”, completou. Segundo a família, o garoto foi socorrido por hóspedes, na falta de brigadistas. “Não foi fatalidade, foi negligência”, disse.